Êle vem me acompanhando desde que o herdei, há 40 anos. Está velho, muito velho, tem por volta de um século e meio. Já "conviveu" , em casas da Família Paiva de quatro gerações: na da minha bisavó paterna, Maria Isabel de Paiva Oiliveira,na da minha avó, Rosa de Oliveira Paiva, na do meu pai, José Joaquim de Oliveira Paiva e na minha, Lúcia Maria Bezerra de Paiva Rodrigues (onde permanecerá,.... até quando,eu não sei).
Aí está, o VELHO PILÃO, servindo à Família Paiva
desde meados do século XIX...por quatro gerações...
Em "sua" primeira casa, a da minha bisa, que ficava em um sítio na Praça do Colégio (hoje Praça Filgueiras de Melo), defronte à
Rua 25 de Março, em Fortaleza, nosso "ilustre personagem" compunha um cenário bastante diverso ao de hoje, tendo, à sua volta, panelas e potes de barro, fogão à lenha e outros "luxos" do século XIX.
À cada mudança de lar, novos elementos iam fazendo-lhe companhia. Sempre tranquilo, adaptando-se muito bem, sem reclamar, sempre fiel aos seus senhores.Talvez, ciente da sua longevidade.
O Pilão da Bisa, para mim, é uma escultura utilitária e afetiva. Cada uma de suas "bocas" tem uso diferente, bem assim, cada uma de suas "mãos":
uma das bocas é para pilar paçoca de charque (carne seca, jabá, carne-do-ceará); a outra é para pilar café torrado. O grande "segredo" é não misturar as bocas....e nem as mãos!
É bem verdade que hoje, e há muito, já se faz paçoca moida e o café em pó há em fartura.....Mas, sinceramente, feitos à moda antiga, tanto a paçoca quanto o café donzelo (grãos virgens, torrados e moídos na hora), são inconfundíveis e incomparáveis, no sabor e no cheiro....
Hoje, o Pilão da Bisa é peça de decoração em minha casa, mas eu sei que, a qualquer momento, posso utilizá-lo da mesma forma de antes. Sabor e aroma também se pode sentir.... sonhando! Às vezes, olho para o meu velho "companheiro" e sonho com o sabor da paçoca de charque e o aroma do café donzelo....
Eu volto...................um forte abraço!