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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O NORDESTE, SEXTA-FEIRA, 4 DE JULHO DE 1952

MANOEL DE OLIVEIRA PAIVA (XVIII)
O poeta da abolição
J. Paiva



Alunos da Escola Militar, na década de 1870, junto ao Morro da
Urca, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Na Escola Militar do
Rio de Janeiro, nesta década, estudou Manoel de Oliveira Paiva.
Estaria ele entre os da foto?....não se sabe!!! É possível, ele lá
permaneceu, na Escola Mliatar, de 1875 a 1883).
(Foto: site:Bicentenario da AMAN).
Manoel de Oliveira Paiva, em seu uiforme de Cadete,
como aluno da Escola Militar do Rio de Jaeiro.
(Foto: Arquivo Lúcia Paiva).
Escritor e crítico Calos Maul (1887-1974), nasceu em
Petrpopolis (RJ), foi redador do Correio da Manhã,
membro atuante da Sociedade Brasileira de Geografia
e Filosofia ...autor, dentre outros ,de  "O Exercito e a
Nacionalidade. ( Fonte:Blog A REVOLUÇÃO ACONTECE)
"O Exército e a Ncionalidade" de Carlos Maúl.
(Imagem: mercado livre- google)
                               
Duque de Caxias (Wikipédia)
Dom Pedro II (Wikipédia)
Conde D'Eu (Wikipédia).
Princesa Isabel (Wikipédia).
SOCIEDADE LIBERTADORA - em pé: Isaac Amaral, Papi Junior,
William Ayres, João Cordeiro, Antônio Bezerra, Dragão do Mar,
Alfredo Salgado; sentados:  OLIVEIRA PAIVA,  João Lopes,
José Amaral, e Antônio Martins. (Arquivo Nirez).
Jornal "Libertador", publicado no dia 25 de março de 1884 pela
Sociedade Libertadora Cearense, em homenagem à libertação
total dos escravos do Ceará.  Fonte::Wikimedia Commons)
":Anos antes da Proclamação da República, notabilizou-se
a capanha abolicionista no Ceará, que logrou abolir a escravidão
no estado a 25 de março de 1884, quatro anos antes da "Lei Áurea".
(Fonte: Wikipédia)
"Ceará, Terra da Luz, Berço da Liberdade" ...José do Patrocínio.
Assim chamado, "TERRA DA LUZ", por ter sido o pioneino, na
LIBERTAÇÃO DO ESCRAVOS... (Imagem: google)...





Vale a pena colocar, como roteiro desta nova fase da curta mas movientada vida de meu tio, acima de tudo tão dolorosa, o que escrevia Antônio Sales logo após a sua sentida morte, na citada poliatéia. Primeiramente destaquemos sua  atitude, em 1883, quando voltara definitivamente do Rio de Janeiro, abandonando os estudos militares por força da insidiosa moléstia, depois de ter, sete anos antes, saído, por um lamentável incidente, do Seminário do Crato: a plena adesão à causa da libertação dos escravos, que no Ceará foi guindada à categoria de uma epopéia.
"A esse tempo, comentava o insigne escritor, a campanha abolicionista estava no auge da intensidade, e ele, que vinha em busca de saúde, que lhe podiam dar o ar e o sossego do campo, empenhou-se na luta de corpo e alma, pondo a sua palavra e a sua pena a serviço da propaganda libertadora, com sua tenacidade feliz de evangelista, dissipado alegremente a seiva do seu organismo  que a tuberculose começava a roer..."
Da Escola Militar ficara em seu espírito uma característica do soldado brasileiro que, em sua obra, "O Exército e a Nacionalidade", Carlos Maúl considera até mesmo como um traço fisionômico do que poderíamos chamar de "antimilitarismo dos exércitos americanos" : "Se lhe ordenam que se mobilize para a detenção dos negros fugidos do cativeiro, ele recusa essa tarefa de "capitão do mato" e adverte aos que  lhe querem impor tal atividade que o papel de janízaro ou de pretoriano é incompatível com a sua missão de sentinela vançada do Brasil. Foi, evidentemente, esse cruzar de braços do Exército o gesto mais influente na liquidação da escravatura de que se nutria a nossa errada política econômica e dele nasceram novos itinerários ao trabalho dignificante e livre".

Caxias, o Patrono do Exército Brasileiro, o Soldado Perfeito, o Santo da Pátria, o máximo e decisivo dirimidor das lutas externas e internas, é o guerreiro que "ás vezes recolhe o elmo, despoja-se de ferros da armadura e atende à política que o chama ao Ministério. E, na paz como na guerras, é o mesmo varão excelso com o pensamento nos interesses supremos da Pátria, embora a investidura lhe venha apenas de um partido a cujas contigências humanas não seria mais do que humana a sua subordinação". O Imperador temia que o Tesouro ficasse descalço "tanto põem e tiram a sapata desta arma", como certa vez dissera a um ministro. E o Conde D'Eu, Soldado do Brasil, influenciava "sobre a esposa em matéria de questões nacionais, ao tocar um ponto singular e sempre com intenção benéfica".

Manoel de Oliveira Paiva trouxera da Alta Caserna não  somente o amor às causas humanitárias como também a paixão sôfrega pelas Letras, nas quais se iniciara colaborando na imprensa da Escola Militar, fora aprender a empunhar com técnica perfeita as armas da defesa da Pátria, mas, premido pela moléstia apenas lhe ficara na mão a pena, esta arma soberanamente humana que vinha ensaiando suas porfiadas lutas pela idéia generosa de, na revisão respeitosa do passado, glorificam, em qualquer nacionalidade, anticlericais e  ultramontanos.
Ia entrar na na liça da pena, como cavaleiro do pensamento mergulhado na fonte perene do Cristianismo ao serviço da redenção dos filhos da África. Não havia chrorado sua pobre mãe ao vender o pretinho Anselmo, filho como sua irmã e minha inesquecível Madrinha Paula, a "Negra Cassiana lá de Sobral",como era conhecida por sua popularidade na fazenda "Três Lagoas"? 
A vovó, com a seriedade que lhe impunha à própria consciência, chegara a consultar antes da triste transação, seu confessor...
Por J. Paiva
...continua...




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NOTAS:

1- Como venho procedendo, desde o capítulo I desse texto biográfico de J. Paiva, a ortografia original da época em que foi
escrito, 1952, foi mantida, nesta publicação;

2- Venho também apresentando uma série de imagens, antes do
texto, com o único intuito  de ilustrar o espaço, mostrando um pouco do que é citado na biografia de Oliveira Paiva, quanto à pessoas, lugares, fatos...;

3- Os dois próximos capítulos terão também o sub-título,  "O poeta da abolição". 




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Volto, em uma semana.........um forte abraço!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O NORDESTE, TERÇA-FEIRA, 1º DE JULHO DE 1952

MANOEL DE OLIVEIRA PAIVA (XV)
Na Escola Militar do Rio
J. Paiva
Escola Militar do Rio de Janeiro,na Praia Vermelha. em foto de 1885.
Cobria todo o espaço entre o morro da Urca e o Pão de Açucar
( Imagem: Jornal do Brasil - Internet). 
Frente e verso, da Medalha Milagrosa (Fonte : Wikipédia)
Catarina Labouré: 1806- 1876..."Caixão de vidro com o corpo  
incorruptível de Santa Catarina Labouré" (Fonte: Wikipédia).
Os caminhos, entre o Colégio da Imaculada Conceição e a Casa Velha
do Outeiro, da família Oliveira Paiva, eram feitos entre mangeronas... 
.
...pinhões...
...melões de São Caetano (fechados)....
...( abertos)....
... em flor...
...jitiranas...etc...(imagens: google)
Luis Alves de Lima e Silva ( 1803- 1885) ,
o Duque de Caxias...
Família Imperial do Segundo Reinado, por volta de 1870. Da esquerda
para a direita o Conde d'Eu, Dom Pedo II, Dona Tereza Cristina e a
Princesa Isabel.. Foto de Alberto Henschel. (Wikipédia).
Princesa Isabel (foto: Wikipédia)
A Princesa Isabel  com o bisneto, Pedro Henrique.
(Wiikpédia)
Antônio Gonçalves de Oliveira Junior (Dom Vital)
1844-1878, Bispo de Olinda (Wikipédia).
Dom Antônio de Macedo Costa (1830-1891)
Bispo do Pará. (Wikipédia).
Instituto Militar de Engenharia. O IME fica localizado na Urca, Zona 
Sul carioca, mais precisamente na Praia Vermelha, ao lado da estação
do Bondinho do Pão de Açucar. Neste mesmo local funcionou a Escola
Militar do Rio de Janeiro(1ª foto), onde estudou Manoel de Oliveira Paiva.
(Foto: google)
Nesta foto, vê-se, à esquerda, parte do IME, tendo ao fundo, o
morro da Urca com a estação do bondinho, vendo-se o teleférico
subindo para o Pão de Açucar. (Imagem:: google).
Imagem belíssima, onde se tem, numa visão aérea, a Praia Vermelha,
Rio de Janeiro,em primeiro plano, vendo-se o IME, o morro da Urca  
e, do outro lado, ao fundo, toda a extensão da Praia de Copacabana 
 e, bem à direita , a Pedra da Gávea...bem distante...OBS: este morro,
à direita, em primeiro plano, aqui pertinho, é o PÃO DE AÇUCAR...

Manoel de Oliveira Paiva, com o seu caráter muito temperado de altivez e dignidade, não soubera suportar, com sacrifício de  sua reputação, a disciplina que o Reitor do Seminário  do Crato, à falta de provas em contrário, quisera aplicar-lhe injustamente. E agora, com o assomo apenas em tese permitido, de ambição e liberdade, que os seus 15 anos não autorizavam, ia magoar mais uma vez o coração materno, que fazia pouco mais de um ano sangrara ao ver o filho idolatrado voltar do Crato, perdida no abismo de sua confusão e de seu desespero, a vocação sacerdotal, porém já então sossegado, cicatrizada que estava ficando a ferida.
Meus tios Manoel e João, apegados ao Colégio das Irmãs de Caridade, armadores da Gruta, fabricadores de "bougies" ou lanternas para as procissões  e coroações de Maria, às quais Irmã Gagné, braço direito da Irmã Bazet, dava todo o 
tom francês daquela época, em que ainda vivia a Medalha Milagrosa, Irmã Catarina Labouré,  serviam  também como sacristãos na missa do Padre Chevalier, a um pulo da Casa Velha, através de caminhos feitos entre matapastos, mangeronas, salsas, pinhões, primaveras, melões de São Caetano, jitiranas, etc., onde daí a dois ou três anos surgiram algumas cetenas de palhoças na Grande Seca, entre o Colégio e a Casa Velha e o açude do Pajeú, que futuramente apenas será lembrado  devido ao Edifício que tem esse nome...


Dois primos, um da linha colateral e o outro da linha direta, José Freire Bizerril Fontenele e Vicente Osório de Paiva, tinham anteriormente assentado praça no Exército  e ingressado na Escola Militar, isso a 2 de janeiro de 1871, segundo o douto Barão de Studart e já em 1876 eram alferes-alunos.  Oliveira Paiva não se conformava com a vida medíocre, sem destino certo, pobre e, como era a família, num meio provinciano, onde já se verificava, em ponto pequeno o desenrolar da trama da Comédia Humana, de Balzac, pois algo de elevado o impulsionava para rumos incertos. Também seria soldado, ocuparia no Exército o altar da Pátria, o lugar que perdera irremediavelmente no altar da Igreja, quando mais quando, naquela época, o Clero Brasileiro era forçado a ficar como  que atrelado ao carro do Estado, apenas tendo em seu favor o providencial critério na escolha dos Bispos, feita pela vontade de um dos mais notáveis Soberanos da História, Dom Pedro II, que era meio aos caprichos e vaidades que muito o prejudicaram, lamentavelmente fora enredado no labirinto da Questão Religiosa, assim cerceando ao meio de sua incontestável ascendência pessoal e o admirável equilíbrio de suas decisões e assuntos do fôro da consciência...  As Lutas da independência, a consolidação do  Império e a glória que o Brasil conquistara na defesa dos Povos do Sul, contra os Ditadores tiranos e, enfim, a Guerra do Paraguai tinham formado uma legião de soldados cheios de cicatrizes, galões e títulos nobiliárquicos.  Não seria melhor a nova carreira do amanhã tornar-se Bispo, preso e condenado se quisesse exercer sem óbices o poder espiritual?  Alí estava o glorioso Duque de Caxias que, pela mão da Princesa Isabel, fizera o Imperador anistiar os Prelados de Olinda e do Pará.


Seu tio materno, Antônio Pereira de Brito Paiva, o animara a alistar-se como voluntário do Exército, garantindo-lhe que chegado ao Rio de Janeiro, obteria por seu prestígio político a matrícula na Escola Militar.  Foi isto em fins de 1876, quando partiu a informar à pobre mãe sua inopinada resolução, esta cujo coração já se acalmara pela conformidade cristã, reprovou-lhe o gesto impensado, temendo por ele devido à sua debilidade física e ao risco que correriam sua fé e seus bons costumes, ao recordar ela certa noite em que ele não aparecera na hora de recolher, compreendeu que cumprira sua intenção. Abandonando provisoriamente a casa, foi refugiar-se numa mais próxima. Ao vir despedir-se meu tio, dias após, não encontrou minha avó e mesmo assim embarcou, lamentando não poder abraçá-la e beijar-lhe a mão, pois ela tinha teimado em não querer mais vê-lo, somente voltando para a Casa Velha quando ele tivesse partido, julgando talvez que isto fosse o bastante para fazê-lo retroceder. Era o seu coração, pressago de mãe que adivinhava o futuro do filho, pois, como diz o rifão, o coração de pai não se engana e o de mãe muito menos... 
Por J. Paiva
...continua...


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NOTAS:
1- No texto de J. Paiva, acima, foi mantida a forma ortográfica original, de 1952, quando foi publicado, também em capítulos, no jornal O NORDESTE, de Fortaleza;

2- As imagens, que antecedem ao texto, com legendas, tem a intenção apenas de ilustrar algumas citações do texto, que considero importantes;

3- Os próximos dois capítulos terão, também, o sub-título de: "Na Escola Militar do Rio"...

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Até a próxima semana........   Um forte abraço!!!