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sexta-feira, 1 de julho de 2011

ACTAS DIURNAS : DENDÉ ARCOVERDE (III)

(IN) SAGA DE UMA FAMÍLIA( V)

Engenho do Cunhaú ,com um belíssimo canavial, ainda... Esta foto,
foi batida em2008. A Capela do Cunhaú, está localizada logo
à esquerda.  (Foto: acervo próprio)

Próximo à capelinha, há algumas casas de moradores locais.
Este casal ,que aí aparece, é meu filho e minha
nora que me acompanharam na viagem...
(Foto: acervo próprio- 2008)

Não preciso dizer quem é esta "turista" rsrs...
Estou apenas "provando", com a foto, que
estive, em 2008, em pesquisa, 
no antigo Engenho Cunhaú....

A Capela  N. Sra. das Candeias, conhecida também como Capela
do Cunhaú e Capela dos Mártires, em Canguartama-RN, atrai
muitos turistas....(Foto: acervo próprio)

Interior da Capela do Cunhaú, em foto a partir
do altar mór. Na parede à direita, próxima à
saída, estão afixadas 4 placas  de bronze
que "contam" a história do Cunhaú e da
Famíla Albuquerque Maranhão.
(Foto: Elizete Arantes- do blog
da Professora Elizete)


Essa placa apresenta uma "Sinopse Parcial" da "Casa do Cunhaú". Aí estão
os nomes dos "Senhores do Cunhaú". Dada a luminosidade (reflexos), esta
foto não oferece boa nitidez, mas é possiível  uma razoável leitura. Vejam
que o nome de nº 7 é André de Albuquerque Maranhão Arcoverde,
"o Brigadeiro", ou Dendé do Cunhaú. Abaixo de seu nome, lê-se
que ele foi o "último" Senhor do Cunhaú.
No final, consta: .....fizeram gravar esta placa em homenagem aos seus
antepassados, quando das solenes comemorações pelos 400 anos de
fundação da Casa Senhorial de Cunhaú. Engenho do Cunhaú, 2 de maio de 2006.
(Foto; acervo próprio -2008).


Lousa tumular do Capitão-Mór Jerônimo de
Albuquerque Maranhão (1548-1618), fundador
da Casa do Cunhaú. Ele nasceu em Olinda (PE),
filho do português Jerônimo de Albuquerque e
de uma indígena filha do Cacique Uirá Ubi
(Arco Verde, em português).  
Esta lousa, tinha sua inscrição
em baixo relevo mas, foi desgastada, com
o passar do tempo, por estar no corredor da
capela, por onde as pessoas pisam, circulando...
(Foto do blog  História e Genealogia, de
Anderson Tavares)


André de Albuquerque Maranhão(1773-1817) foi
Chefe do Governo Republicano, de 1817, no
Rio Grande do Norte.Ferido, a golpe de espada,
no dia 25 de abril, de 1817,faleceu no dia
seguinte, no cárcere da Fortaleza dos
Reis Magos , Natal, RN.
Seu corpo jaz no corredor da  Matriz de N. S. da
Apresentação, em Natal-RN. (Foto do blog
História e Genealogia, de Anderson Tavares)


ACTA DIURNA 
DENDÉ ARCOVERDE (III)

Casara com sua prima d. Antônia Josefa do Espirito Santo
Ribeiro d'Albuquerque Maranhão, filha de João d'Albuquerque Mranhão e de d. Antônia Josefa, irmã de sua mãe. Seu sogro, quase centenário, veio a falecer, na Província da Paraiba, a 20 de agosto de 1859.
Dendé perdeu a mulher no dia 7 de outubro de 1835. Dizem
que a envenenou, passando, a pretexto de fazê-la perfumada, unguento misterioso pela linda cabeleira da espôsa. A senhora morreu, dias depois do agrado, com furiosas dôres de cabeça. A tradição oral registra que o único filho legítimo do Brigadeiro Arcoverde, o pequenino André, fora igualmente assassinado pelo Pai, com processo idêntico ao que sofrera a Mãe. O menino sucumbiu a 25 de novembro de 1836. Uma versão mais humana e lógica, informa que d. Antônia Josefa falecera de febre puerperal e o filhinho, de meningite.
 Dendé ficou com as duas  heranças... 

Seu irmão mais velho, José Inácio, durante as partilhas, quando
do inventário de sua mãe, em 1846, teve desavenças com o Brigadeiro. José Inácio era influente, solteiro, rico, várias vezes presidindo a Câmara de Vila Flor. Residiu em "Belém" e "Estivas". Dendé mandou-o matar, com a naturalidade de quem encomenda a um caçador uma peça de caça. Escapando várias vezes às emboscadas, José Inácio deliberou fugir para Europa. Vendeu parte dos bens e, com Joaquim Cardoso, seu capataz de confiança, veio ao engenho "Bosque", em Goianinha, e enterrou uma mala cheia de moedas de ouro. Passou procurações para uns parentes seus administrarem as propriedades. Numa dessas jornadas uma descarga apanhou-o no braço, ferindo-o levemente. José Inácio, esperando a época da viagem, veio refugiar-se em "Estiva", em casa do Capitão-Mór André d'Albuquerque Maranhão, coronel das Ordenaças de Vila Flor e Arês. Este mandou vigiar os arredores. Os dias passaram, calmos.
Uma manhã, conversavam, André de "Estivas" e José
Inácio, no alpendre da casa-grande. José Inácio, deitado numa espriguiçadeira, segurava um lenço de cambraia, de encontro ao ouvido. Ao lado ficava uma olaria onde alguns homens do Capitão-Mór trabalhavam. Bruscamente um trabalhador gritou:
- guarda o tiro! ... Da olaria dispararam dois bacamartes, de pontaria dormida. Uma bala atravessou a mão, o lenço e cabeça de José Inácio. O fidalgo caiu de bruços, fulminado. O Capitão-Mór correu em cima dos emboscados que desapareceram.
Horas depois, chegava à "Estivas", o Brigadeiro Dendé
Arcoverde, todo de preto, grave, compungido, com um sequito de guardas, armados e montados. Esteve muito tempo olhando o cadáver do irmão. Ajoelhou-se perto, persignou-se, e declarou que viera buscar o corpo para ser sepultado, com honras, na capela do Cunhaú. Organizou o prestito e carregou e carregou o defunto numa liteira. Enterreou-o com pompa. No sétimo-dia veio a orquestra de São José de Mipibu, dirigida por Joaquim Barbosa Monteiro, para tocar durante a missa fúnebre. José Inácio ficou na capelina do Cunhaú. Dendé herdou tudo...

Joaquim Barbosa Monteiro, que faleceu aos 85 anos em S. José de Mipibu a 7 de outubro de 1907, contara ao cel. Felipe Ferreira da Silva de "Mangabeira", que, terminada a cerimônia, apresentara as despedidas ao Brigadeiro que passeava todo de branco, na calçada. Dendé Arcoverde falou, com a voz grossa e alta que assombrava até aos Anjos do Céu...
_  Não lhe pago agora porque não tenho dinheiro que chegue. Vá para casa que receberá logo que me venha o que estou esperando...
Julgando agradar, Monteiro explicou que o toque era gratuito. O Brigadeiro franziu o couro da testa como um tigre:

_ Atrevido! Querer fazer um favor ao Brigadeiro Arcoverde para sair dizendo  que ele não tinha que pagar!...Ousadia desse diabo! Suma-se de minha presença, depressa!...
Joaquim Monteiro saltou num cavalo e galopou até São José de Mpibu, resando a "Salve-Rainha" quando se encontrou fora dos caminhos do Cunhaú.
Mas, dias depois, Simplício Cobra Verde foi a S. José entrgar a Joaquim Monteiro verdadeiramente fidalgo, da tocata e do susto.
Para o seu tempo, o fausto do Brigadeiro teve as honras da lenda. O Sr. dr. Eloy de Souza relembrou a fama em sua conferência "Costumes Locais" (Natal...1909 p.7);  - "A tradição ainda recorda as riquesas dos Arcoverdes, em propriedades que mediam, em escravos tão numerosos que a muitos ignoravam os nomes e estranhavam a própria fisionomia e em moedas de prata e ouro, semestralmente postas a arejar em largos couros estendidos no terreiro da casa grande. Célebres foram as suas baixelas de prata e ouro; e célebres as viagens que faziam ao Recife, em liteiras puxadas por cavalos cobertos po pesados mantos de tafetá recamados d'ouro; o enorme sequito de agregados de todos os matizes; a charanga, as barracas de seda e toda a régia munificência com que iam afrontando o humilde sossêgo das praias por onde passava tão fidalgo e ruidoso cortejo".

(10. 05. 1941)

(Fonte: "O Livro das Velhas Figuras", vol. 3, Luis da CÂMARA CASCUDO, Natal: IHGRN, 1977).
Obs.: A ortografia da época, 1941, foi mantida, nas actas....

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NOTA: Amigos leitores, tenho conhecimento de que o ilustre
Historiador potiguar, Luis da CÂMARA CASCUDO,  escreveu 6 artigos (I a VI) na sua Acta Diurna, no jornal A REPÚBLICA de Natal, em datas de 6, 8, 10, 17, 20 e 24 de maio de 1941. No entanto, só disponho das tres primeiras, que aqui foram publicadas, tendo sido publicada hoje a 3ª acta. Estou à procura
de "descobrir" a fonte onde tenham sido publicadas as demais actas..., ou seja, as 3 últimas, sobre Dendé do Cunhaú.
Já informei aqui, em postagem anterior, que estas tres actas,
aqui publicadas, seguidamente, me foi enviada por Daliana
Cascudo, neta de Câmara Cascudo. Estou tentando fazer
contato com ela, para obter as outras tres actas ( IV, V e VI).
Suponho que, com a apresentação das tres primeiras, o leitor
interessado, que vem acompanhando as postagens de "SAGA DE UMA FAMÍLA", já se "apossou" do perfil do Brigadeiro, traçado pelo brilhante  pesquisador Câmara Cascudo....Portanto, na próxima publicação, mostraremos "AS LUTAS ENTRE O BRIGADEIRO E ANTÔNIO PEREIRA DE BRITO PAIVA"...
Ficando a promessa de que, caso encontre as tres actas
restantes, pubicarei ao final desta série que "batizei" de
"SAGA DE UMA FAMÍLIA"

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Estou indo......................mas eu volto.  Um abraço!











sexta-feira, 10 de junho de 2011

ACTAS DIURNAS : DENDÉ ARCOVERDE (I)


(IN) SAGA DE UMA FAMÍLIA ( III)

Luis da CÂMARA CSCUDO, como fazia  meu pai, escrevendo
à máquina, com os "indicadores". Não há registro de meu pai, assim,
nos escritos...Quero reverenciar aqui, mais uma vez, este grande
pesquisador potiguar. Sem as suas informações, escritas a meu pai, eu
não estaria escrevendo estas postagens "batizadas" de SAGA
DE UMA FAMÍLIA... Sem as ACTAS DIURNAS,
eu não conheceria o "perfil" de "Dendé Arcoverde".
(Foto: "salva" no google")

Capela do Cunhaú- RN'(no antigo engenho) onde ocorreu, em 1645, o
"Massacre do Cunhaú". Ela fiicou em ruinas, vindo a ser restaurada
e tombada, pelo IPHAN . Nesta capela, foi enterrado André de
Albuquerque Maranhão Arcoverde, além de outros membrso da
família Albuquerque Maranhão, "senhores" do Engenho Cunhaú.
(Foto: Elizete Arantes - Blog da Professora Elizete Arantes).




Capela do Engenho Tamatanduba,RN, sítio onde
viveram meus bisavós, até 1842, quando a famíla
emigrou para o Ceará, após o assassinato de meu
bisavô, Vicente Ferreira de Paiva, a mando de
André de Albuquerque Maranhão Arcoverde,
o Dendé do Cunhaú.  NOTA: os dois sítios
são vizinhos. (Foto: Lúcia Paiva)

Altar da Capela do Cunhaú (N. S. das Candeias).
(Foto: Elizete Arantes - blog Professora Elizete Arantes)


Ruinas da Capela de Tamatanduda (no antigo engenho), em ruinas.
NOTA: No sítio, há moradores, cuja casa fica na frente, próxima
à beira da estrada, onde se enconta a famosa "Ladeira do Suspiro",
cuja descrição, por Câmara Cascudo, está na postagem do dia 
04-06-2011no  post LADEIRA DO SUSPIRO (IN)
SAGA DE UM A FAMÍLIA (II), neste blog.
(Foto: Lúcia Paiva- Em 2007)  

ACTAS DIURNAS- artigos escritos, por Luis da CÂMARA CASCUDO, de 1939 a 1960 em jornais de Natal- RN :
A República e o Diário de Natal.
Sobre Dendé Arcoverde, Cascudo escreveu 3 actas, ao menos...
que transcreverei, aqui, a partir de hoje. Segue, a primeira:

DENDÉ ARCOVERDE ( I )                       

André d'Albuquerque Maranhão Arcoverde nasceu
no engenho Cunhaú, freguesia de Nossa Senhora do Desterro de
Vila Flor, termo de Goianinha, no ano de 1797. Era o segundo filho do tenente-coronel José Inácio d'Albuquerque Maranhão e de d. Luiza Antônia, irmã de André d'Albuquerque, o desgraçado chefe da revolução de 1817 no Rio Grande do Norte.
Teve a meninice tradicional dos meninos ricos, filhos de
fidalgos, donos de engenho. Correu a cavalo, saltou porteiras, armou arapucas, pulou os córregos, tomou banhos no rio Piquiri, sesteou debaixo das sombras das velhas árvores, formou batalhão com os moleques da redondeza, esmurrou os primos, indigestou de bolo-preto e doce-seco, trepou nos coqueiros, assustou as matronas, dormiu cansado...
O pai, homem austero e poucas falas, de manso trato e ameno
viver, era governado pela mulher, dona Luzia Antônia, enérgica e voluntariosa, chamada o Homem da Família, de quem o filho herdaria a melhor parte de seu gênio impulsivo. Ao entrar na mocidade, José Inácio mandou Dendé, como todos o conheciam, para a Europa, aos estudos. Estudar o quê? Leis? Cânones? Medicina? Não se sabe. Portugal era o viveiro onde se implumavam os borla-e-capêlo da época. Ignora-se o país onde Dendé Arco Verde fôra estudar. Dona Isabel Gondim afirma ter sido Paris. Alberto Maranhão informa que a Alemanha. Creio em Portugal. Portugal era a Europa para quase todos os aristocratas antigos.
Em 1817, estava na Europa quando a revolução estourou.
Quando regressara ao Brasil? Não se sabe ainda. Suas notícias iniciais são de 1830. Voltando ao Cunhaú não trouxe diploma nem curso feito mas vinha com uma mentalidade formada e concluida. Não há alteração daí em diante nos seus modos e procedimento.Há nele a imutabilidade dos temperamentos decisivos.
É a mais estranha e sugestiva das figuras da Casa do
do Cunhaú. Em toda a zona agreste do Rio Grande do Norte não há quem lhe desconheça o nome e não saiba uma sua façanha. Quase oitenta anos depois de sua morte, ainda o povo lhe cita o nome com respeito supersticioso. Indicam todos os recantos de sua morada, os caminhos percorridos, os crimes, a coragem, o arrojo irreprimível. Hoje, como há mais de meio século após seu passamento, todos os trabalhadores, de dois municípios, só aludiam à sua pessoa, com um vagar amendrontado, dando, invariavelmente, o tratamento oficial, "o Brigadeiro". E a voz cava estava traindo uma longa capitalização de obediência espontânea.
Dendé Arcoverde é um puro homem da Renascença, sem medo, sem pudor, sem respeito, sem superstição,  despido de preconceitos, sem temer a Lei, nem o Imperador, nem à Polícia, nem ao Gabinete Ministerial, nem inimigos, vinganças, ódios. Insensível, superior, desdenhoso, atrevido, incapaz de compreender os limites de sua vontade, ciente, integral que seu direito ia até as fronteiras de sua força ele nã tem remorsos nem piedades inferiores. Deliberando, executa,com  a precisão, a nitidez, a naturalidade de uma função normal. Tudo nele é natural, próprio, congênito, Diz o que quer, manda avisar a morte, intima que alguém deixe a casa e se mude, chibateia, surra, tortura, mata a punhal, a tiro, a veneno, comanda um exército de escravos ou pratica, sosinho, o ato, sem um arrepio na face, imóvel e magnifica, como um autêntico barão feudal, um verdadeiro Herrenmeister, pulso forte, coração de bronze, ao sol tropical do Brasil.
Tem, igualmente, conservadas, ciosamente, as virtudes de sua Raça. É faustoso, amante do ceimonilal, generoso hospedador, respeitando, como a um rito religioso, o próprio inimigo que se acolhesse à sua residência, dando, apenas, o número de dias bastantes para que se puzesse a salvamento da alcatéia que sacudiria em perseguição inexorável.
Não o podemos enquadrar  dentro das regras da Moral
e da Lei. Dendé Arcoverde é uma exceção, o Homem Forte institivo, arrebatado, feroz, cavalheresco, impressionável, magnífico de valentia, de atrevimento, de loucura pessoal. Não sofre um insulto. Não tolera um recalque. Não renuncia ao menor desejo. Veio, como Cezar Bórgia, trazendo o "humanismo", o Homem natural e vivendo pelas leis-dos-homens. Como Cezar Bórgia, despareceu numa tragédia pequenina, inferior aos seus méritos reais de impulsão e de vontade.

( 6. 5. 1941)

FONTE: "O Livro das Velhas Figuras", vol. 3, Luis da CÂMARA
CASCUDO, Natal: IHGRN, 1977.


Definição do VERBETE "Cunhaú", no livro "Nomes da Terra"-
Luis da CÂMARA CASCUDO , História, Geografia e Toponímia do Rio Grande do Norte - Natal, FJA, 1968.

CUNHAÚ  - Povoação de Canguaretama, tornada heróica pelo sacrifício de moradores, às mãos dos janduís, chefiados pelo delegado holandês Jacob Rabin, por ocasião da missa dominical celebrada pelo padre André de Soveral, também assassinado, aos 73 anos.

NOTA:A Capela do Cunhaú, segundo historiadores, foi quase
toalmente destruida, na famigerada chacina, ocorrida  em 16 de junho de 1645, quando da Invasão Holandesa. Foi recuperada,
depois da expulsão dos Holandeses, voltando para o domínio da famíla Albuquerque Maranhão. Com o final daquela oligarquia, acaba o Engenho, a capela fica em ruinas.
Nos anos 1960, houve interesse em recuperar a capela, para
"venerar" os mártires do massacre. O IPHAN tombou a capela do Cunhaú na década de 1980. Quero crer, que a capela do Engenho Tamatanduba seja, relativamente, da mesma época, pelo estilo arquitetônico semelhante. Solicitei, ao IPHAN uma avaliação.
Quem sabe, um dia, também terá seu tombamento, como um
patrimônio histórico/ cultural? Com a "palavra",
o IPHAN, do Rio Grande do Norte...









Já estou indo, mas eu volto.......................um abraço!





sábado, 28 de maio de 2011

CÂMARA CASCUDO : carta ao meu PAI

(IN) SAGA DE UMA FAMÍLIA
Luis da CÂMARA CASCUDO(1898-1986), um
dos mais respeitados pesquisadores do folclore e
da etnografia , no Brasil. Na foto (google) , Câmara
Cascudo, em uma de suas viagens à África...
Luis da CÂMARA CASCUDO, nasceu e faleceu em Natal,
no Rio Grande do Norte. Historiador, pesquisador, profundo
conhecedor de toda a história de seu Estado.Maior
folclorista de todos os tempos. Sua bibliografia é vastíssima.
(Foto : google)

Casa em que viveu Luis da CÂMARA CASCUDO, em
Natal - Rio Grande do Norte.
(Foto: google)

Darei início, hoje, a uma série, que eu"batizo"  de  SAGA DE UMA FAMÍLA. De meu pai, possuo muitos escritos em que êle narra
fatos passados na famíla, até bem antes de êle nascer, contados
por seus avós, pais e tios...Além desses escritos, há também
documentos, que enriquecem e complementam todo o acervo que
êle nos legou. Para mim, um dos documento mais importantes, do 
acervo, é uma CARTA, endereçada a êle pelo grande mestre do
folclore brasileiro : Luis da CÂMARA CASCUDO.
Essa carta, é uma resposta a uma carta, escrita por meu
pai,  que veio esclarecer os fatos que ocorreram em 1842, como também indicar, com precisão, a região onde se localizava o Engenho Tamatanduba, no Rio Grande do Norte, de onde emigrara, para o Ceará, a Família Paiva, após o assassinato do seu patriarca,Vicente Ferreira de Paiva.  
Vou iniciar a série, transcrevendo a carta, de Câmara Cascudo,
porquanto, sem ela, eu não teria tido elementos norteadores, para
recuperar os dados necessários, para concluir o enredo  total
da saga vivenciada pela famlia...do cenário, onde ocorrera  o embate, que culminara com um assassinato, forçando a "fuga" de meus ascendentes...Eles temiam, nova emboscada...

Universidade do Rio Grande do Norte
Faculdade de Filosofia
Natal - Em 19 de junho de 1962
377, Av. Junqueira Alves

Prezado Sr. José Joaquim de Oliveira Paiva
Cordiais saudações

Muito grato pela sua carta de 31 de maio passado, tão viva de notícias genealógicas e fatos sugestivos para a nossa recordação nordestina.
André Cunhaú, Brigadeiro "Dendê" Arcoverde, era André de Albuquerque Maranhão Arcoverde, nascido em em 1797 e morto por suicídio na madrugada de 26 de julho de 1857. Matou-se para não ser preso. Era filho do Tenente-Coronel José Inácio de Albuquerque Maranhão e sua mulher Luiza Maria de Albuquerque Maranhão., sobrinha de André de Albuquerque Maranhão, também conhecido por "André Cunhaú", sua propriedade, e chefe da Revolução de 1817, no Rio Grande do Norte.
O Brigadeiro Dendê Arcoverde, foi latifundiário, poderoso, potentado, atrabiliário, turbulento, cercado de escoltas dedicadas e de amasias, deputado provincial, acusado de mais crimes que de dias, em sua tumultuosa existência. Figura sugestiva da autocracia rural, senhoril, faustosa, dominadora.
Tamatanduba, fica no minicípio de Canguaretama, como também Cunhaú, limítrofe com a Paraiba e não com o Ceará.
Ainda encontrei a tradição local da espantosa luta entre entre Dendê e um professor que diziam chamar-se Antônio Pereira de Brito Paiva, realmente filho do assassinado Vicente Ferreira de Paiva, como sua carta elucida em definitivo. Eram ambos destemidos e obstinados nos encontros armados. Não consegui apurar o tíulo de Brigadeiro. O General Sombra procurou debalde nos arquivos militares do Rio de Janeiro. Na espécie é quanto lhe posso informar. Disponha muito cordialmente do servidor.
               (ass.) Luis da Câmara Cascudo

                                                  *******

NOTA: Durante anos, "persegui" a ideia de ir ao Rio Grande do Norte, localizar o Engenho Tamatanduba e o Engenho do Cunhaú.  Em março de 2007, consegui realizar meu intento...ufa!
Agora, com todo o "enredo" da saga da Família Paiva, relatarei, aqui, toda a história, em capítulos , com alternâncias de postagens. Iniciei esta "saga" com a carta de Câmara Cascudo, por ela me ter fornecido os elementos que faltavam, à conclusão da história. Inicio, portanto, da atualidade, ou melhor, do cenário atual do local do drama, que levou uma  família a emigrar, para o Ceará, há 169 anos...

Igreja, em ruinas, no Engenho Tamatanduba,RN
Outras fotos, irão ilustrar a postagem do próximo
capítulo : LADEIRA DO SUSPIRO
(IN) SAGA DE UM FAMÍLIA(II)
( Foto de 2007 -  Lúcia Paiva)







Estou encerrando, por hoje.......................eu volto, um abraço!