A TAPUYA... (modinha, em duo)
Na Fortaleza do final dos anos 1940, 50 e mais, costumava-se chamar de tapuia à menina, moça, ou já mulher, quando se queria xingar,
por alguma razão.Tapuia era, como que, sinônimo de feia... Isso, lembro-me, ocorria só entre nós, do sexo feminino. Não sei explicar se era algum "preconceito", para com o índio (no caso, índia), tratando-se, essa etnia, de forma "inferior" à etnia do branco...
Por essa época, já se ouvia meu pai cantar uma bela modinha, que falava da paixão de uma linda tapuia por um branco. Era uma cantiga com letra muito longa, cujo enredo se passava em um cacaual. Quem sabe, no interior da Bahia ? No caderno das letras manuscritas, não consta o nome do autor, para a tal cantiga...
Antes de apresentar a letra de A Tapuya, na escrita do caderno com y, trouxe uma pequena parte de uma pesquisa que explica a origem do termo tapuia (com i ):
Tapuios
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Tapuia é um termo histórico utilizado ao longo dos séculos no Brasil para designar uma classe de povos indígenas. Originalmente dividia-se os índios brasileiros em dois grandes grupos, os tupi-guaranís (tupinambás) e outro denominado tapuias que habitavam regiões mais interiores. Na época atual associa-se ao tronco linguístico Macro-gê.
Agora sim, olhando para a cópia manuscrita por minha tia-avó Luizinha, vou começar a digitar a letra da 5ª canção, aqui publicada, que PAPAI CANTAVA...Antes, porém, para ilustrar o interessante dueto,entre a linda tapuia e o branco, vejam algumas belas imagens, "salvas" do google...além da imagem de uma "tapuia" que inicia essa postagem, lá no alto...
"Linda tapuia"
Um cacaueiro carregado de belos frutos vermelhos,em várias
tonalidades. O multicolorido do cacau, vai do verde, passando
pelo amarelo claro, pelo escuro, pelo vermelho claro e escuro....
A polpa do cacau, branquinha e gostossa....Imaginar, que ela
é transformada em deliciosos chocolates, dá água na boca...!!!
A disposição das sementes, no cacau partido ao meio, até
parece um trevo, de "cinco folhas"..rico, portanto ...
Mais uma "linda tapuia", caminhando, aqui, para o coqueiral....
Cacaual, parece, aí não há....por essas bandas...
Não poderia deixar de prestar uma homenagem ao
aos nossos indígenas, tão massacrados e quase
totalmente dizimados..., pelo branco, chamado...
Este vídeo, conta um pouco dessa história...triste...
Estou indo,..........mas eu volto...Um abraço!
OBSERVAÇÃO: na letra da modinha, um dueto, que transcreverei a seguir, será mantida a grafia original,conforme está manuscrito no caderno que pertenceu ao meu pai...
A TAPUYA
I
-Tapuya, linda tapuya
Que fazes no cacaual?
-Por aqui é meu caminho
Para ir ao cafezal.
II
-Nem por aqui faz caminho
Nem há café que apanhar.
Tapuya, linda tapuya
Que vinhas aqui buscar?
III
-Eu ia apanhar goiaba
Para dar a meu irmão.
-Fica na beira do rio
Não é n'esta direção.
IV
-Ando em busca de baunilha
Que minha mãe me pediu.
-Menina no cacaueiro
Nunca baunilha subiu.
V
-Pois então eu vou ao lago
D'onde meu pai há de vir.
-Ao lago por este sítio?
Para que estaes a mentir?
VI
-Se o branco tanto pergunta
Que já não sei responder.
-Se tu dizeres não queres
O que vinhas aqui fazer.
VII
-Todos os dias te vejo
No meu cacaual andar
Sempre seguindo os meus passos
Sempre comigo a encarar.
VII
-Pergunto para que me queres
E tu a olhar para mim,
Ou para longe te afastas
Sorrindo sempre assim.
IX
-Vem assustar-me as cutias
Pois nenhuma inda avistei
Mas se tornar a seguir-me
A teu pai me queixarei.
X
-Adeus branco vou-me embora
Para não tornar a vir,
Se o Senhor não achou caça
Não fui eu que a fiz fugir.
XI
-Não assusta a minha idade
Que sou bella o branco diz
Mas o que meus olhos dizem
O branco saber não quiz
XII
-Eu sosinha atraz do branco
Pelo cacaual andei
E o branco vem queixar-se
De que a caça lhe assustei.
XIII
-Era a caça quem caçava
Ao cego do caçador
Quem tão pouco ver não sabe
Qual caça tem mais valor.
XIV
-Anda cá linda tapuya
Não vae assim a fugir
Tuas palavras são tão doces
Volve, volve as repetir.
XV
-Para traz não volve a caça
Meu branco aprenda a caçar
Quem deseja caça fina
Deve saber farejar
XVI
Disse a tapuya na selva
Para sempre se ocultou,
Mas o caçador das duzias
Parvo da caça ficou.
(Autor desconhecido)
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NOTAS:
1- As palavras observadas na letra, com diferentes ortografias, da atual, foram:
tapuya= tapuia; estaes= estais; bella=bela;
quiz=quis; sosinha=sozinha; atraz=atrás;vae=vai.
2- A miscigenação no Brasil deu origem a três tipos fundamentais de mestiços:
caboclo= branco + índio
mulato= negro + branco
cafuzo= índio + negro
(Fonte: Wikipédia)
caboclo= branco + índio
mulato= negro + branco
cafuzo= índio + negro
(Fonte: Wikipédia)
3--A letra retrata bem a realidade brasileira na
época da colonização: o branco colonizador, unindo-se à mulher índia,ou à mulher negra (escrava). Aquí, faz-se essa observação, sem entrar no mérito de quem "caçava" a quem, como na letra da da cantiga "A Tapuya"....O que se sabe, com certeza, é que a união de pessoas, de etnias diferentes, propiciou a miscigenação do bravo povo brasileiro...
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Estou indo,..........mas eu volto...Um abraço!