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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O NORDESTE SEGUNDA-FEIRA 12 DE MAIO DE 1952

MANOEL DE OLIVEIRA PAIVA (IV)
Contingências e sentimentos da família
J. Paiva
Dr, Guilherme Studart, o Barão de Studart.
Médico, Historiador, de grande importância para
 a historiografia do Ceará. (Foto: o nordeste.com.)
Dicionário Bio-Bibliográfico Cearense, do
Barão de Studart. Rica fonte para pesquisa, sobre
o Ceará e os cearenses. (Foto: Portal da História do Ceará).
Padre Pedro Leopoldo de Araújo Feitosa, que foi Cura
da Sé de Fortaleza. Autor de "As Belezas do Cristianismo",
tendo sido padrinho de Batismo de minha tia Maria Carmelita, irmã
 de José Joaquim de Oliveira Paiva  (J. Paiva), meu pai, autor da biografia
de Manoel de Oliveira Paiva, ora transcrita em capítulos, neste blog.
(Foto: Arquivo de Pedro de Albuquerque)
Padre  Francisco Máximo  de Feitosa e Castro, Vigário
e Chefe de Partido, citado no texto biográfico.
(Foto: Arquivo de Pedro de Albuquerque).
Colégio da Imaculada Conceição, com a sua Igreja do Pequeno Grande.
O colégio já existia na década de 1870, porém a igreja, só foi  concluida
e inaugurada em 1903. (Foto: Arquivo Nirez)

                                                                     
Exemplar do livro "Imitação de Cristo", um dos livros
citados por José Joaquim de Oliveira Paiva (J. Paiva),
na biografia de Manoel de Oliveira Paiva, ora transcrita,
em capítulos, neste blog. (Foto: Mercado livre).
"O Evangelho em Triunfo ou a História
de um Filósofo Desenganado" ....
Um dos livros citados, por J. Paiva, no
texto bibliográfico abaixo. (Foto: Mercado Livre)
                                                                          

É tempo de tratarmos da formação espiritual  do tio Manoel. 
Ornava nossa casa um grande oratório, repleto de várias imagens já mencionadas, ante as quais por muitos anos rezámos.
Manoel de Oliveira Paiva não deixa que seus personagens percam a missa. Chega a procurar uma escrupulosa justificativa para a falta de audição da missa por parte do marido de Dona Guidinha do Poço, certa vez.  Esta não se esquece de levar um ramo de flores ao Senhor Santo Antônio.   Oliveira Paiva  compraz-se em por os nomes de Deus, Nossa Senhora e dos Santos na bôca dos que representam algum papel no drama. Certamente a influência do movimento republicano na Escola Militar, ao qual se emprestava um caráter deista, positivista, ateu mesmo, tudo se procurando reduzir ao racionalismo, é que devemos, além do recalque que vamos adiante historiar pela vez primeira, algumas frases que se deixam ressumbrar mais um ceticismo da moda que uma prova de impiedade, de anticlericalismo, mais nos parece que foram escritas irrefletidamente, apressadamente, a furto, a êsmo, como quem receava gravar aqueles períodos no papel, e nele ficaram sem ter havido tempo para reflexão, para eliminar essas frases malsinadas, pois logo depois se finara...

A Dona Angela, ao atender a uma escrava, enrolou "as Horas Marianas na sua capa de couro, dando um nó na respectiva correia". Ora, havia em nossa casa, quando éramos pequenos, uma caixa cheia de livros religiosos, que meu tio Manoel havia de ter manuseado também na sua infância tão pobre como a minha, mais ainda que a minha: uma meia dúzia de "Horas Marianas", algumas encardenadas em forte e bela carneira; umas três "Imitação de Cristo", do Pe. Roquette; o "Combate Espiritual"; a "Missão Abreviada"; o "Relicário Angélico"; o "Escudo Admirável; as "Revelações de Ana Catarina Emmerich"; o "Evangelho em Triunfo ou a História de um Filósofo Desenganado" (18 vols.), que depois de alguns anos vi citado por José da Silva Lisboa, em Princípios do Direito Mercantil", Introdução; "A Voz de Jesus Cristo pela bôca ados párocos" (3 vols.); "A Âncora da Salvação". A Imitação de Cristo" era da Tipografia Aillaud, porém os demais tinham sido impressos na Tipografia Rolandiana, chamada da última sílaba em baixo da página para a página seguinte os "ss" parecidos com "ff". Todas tinham a rubrica  : "Com licença da Mesa  do Desembargo do Paço, com os respectivos emolumentos pagos. Eram todos do tempo da Rainha Nossa Senhora Dona Maria I, que Deus haja!  
Contava-me minha mãe que aos domingos, no descanso da tarde, liam-se os comentários do Evangelho do dia. Quando minha avó, pelos impedimentos da maternidade, não podia sair para a igreja, meu avô assistia ao Santo Sacrifício da missa com dupla intenção, e lia a prática correspondente em "A Voz de Jesus Cristo", para que ela, em espírito, se unisse ao sacerdote e à significação litúrgica da missa. Esse era o exemplo constante de Mestre João Francisco de Oliveira e  Maria Isabel de Paiva Oliveira. 
Por parte de Paiva, exemplo era  o  velho cel. Antônio Pereira, que só se reconciliou com Deus na morte, pai do Marechal e do Desembargador, mas que no entanto, mamãe via beijar reverentemente a mão de Irmã Bazet, primeira Superiora do Colégio da Imaculada Conceição, parece-me que a vida do Engenho, das boiadas, dos comboios, das lutas de família, das questões políticas talvez inconcebíveis como as de hoje, modificára,, com a vida agitada e por vezes cruenta, um certo "viver perigosamente", desde os tempos dos Capitães Mores, das Sesmarias, os sentimentos religiosos que a distância das Freguesias, como também ainda hoje, muito mal alimentava. Verdade é que o Barão de Studart menciona vários sacerdotes, em meio à convergência de sangue diversos e a prova é que primos nossos eram o padre Leopoldo de Araújo Feitosa, que foi Cura da Sé de Fortaleza, tão manso quanto dado a estudos da Igreja, de quem minha irmã guardou "As Belezas do Cristianismo", sendo ele seu padrinho de Batismo, e o padre Francisco Máximo de Feitosa e Castro, Vigário e Chefe de Partido, que afinal sabia bem conjugar um gênio divertido , nem tanto que fizesse esmaecer seu caráter de Ministro do Altar.
Por J. Paiva
...continua...

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NOTAS:
1- Mantive a ortografia original do texto de J. Paiva,  de quando ele o publicou, em 1952, no jornal "O NORDESTE", jornal católico de Fortaleza, onde ele escreveu durante muitos anos.

2- As ilustrações com fotos, que antecedem ao texto histórico-biográfico, possivelmente tornam a postagem mais atraente, tendo em vista que, para mim, "enriquecem" alguns fatos citados no conteúdo biográfico de Manoel de Oliveira Paiva, escrito por J. Paiva, meu pai.

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Retornarei, com o Capítulo V...........Um abraço!