Esta é uma das minhas bisavós paternas, Maria
Isabel de Paiva Oliveira. A outra minha bisavó,
era a mãe dela, Ana Joaquina de Castro Paiva,
que também era minha trisavó. ENTENDAM:
Rosa,minha avó, filha de Maria Isabel casou-se com o tio,
José Joaquim,meu avô, irmão de Maria Isabel. Meu avô, foi genro
da própria irmã.Ana Joaquina era minha bisavó por ser mãe
de meu avô e minha trisavó por ser mãe de minha bisavó...
A criança, no colo, é Jacinta, sua neta, filha de Manoel, aos
10 meses de idade. Manoel morreu aos 31 anos, de tuberculose...
Jacinta, foi freira franciscana, morreu aos 50 de idade, com tuberculose...
Muitos afirmaram que a SAGA não ACABARA...É VERDADE...apenas, dei um "corte."..
A SAGA prossegue, com JOÃO e MARIA...que nem
"história de trancoso", contada pela vovó...
Mas essa é verdadeira, podem CRER !Era uma vez...
...Maria Isabel de Castro Paiva, nome de solteira, que emigrou com a sua família para o Ceará em 1843, vinda do Rio Grande do Norte após o assassinato do seu pai.Veio com a mãe e os irmãos,
com prováveis seis anos de idade...
Por volta de 1855 conheceu João Francisco de Oliveira, um açoreano, que chegara à Fortaleza a bordo do navio "Maria Carlota" que viera do porto da Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, juntamente com outros "mestres de ofício" que aqui chegaram para trabalhar, contratados que foram pela corte portuguesa, instalada no Brasil desde 1808, segundo conta a história...
Meu pai dizia que João Francisco, seu avô, trocara o sobrenome Pereira, de sua família, pelo de Oliveira, de seu padrinho
de batismo, conforme costume da época, se assim fosse o desejo do
do afilhado.
Pois bem, quando se conheceram, Maria e João, este já
era viúvo e trazia consigo duas filhas: Maria Virgínia e Joana, nascidas lá, na possessão portuguesa. Registro interessante, nos escritos de meu pai, é que o "Mestre João" (assim chamado, por ser "mestre de obras") trouxera, além das duas filhas, uma "urna mortuária" com os ossos de sua primeira esposa, Emília Rosa. Com ele teria vindo, também, seus irmãos, José Francisco, Antônio Francisco ,Tereza e os seus pais: Jacinta Angélica e André Francisco Pereira.
Maria Virgínia, a filha mais velha, viria a ser mãe de um renomado músico cearense:Alberto Nepomuceno (1864-1920), que teria fama nacional e internacional. O Alberto , Maestro, era filho do também Maestro Victor Nepomuceno, filho adotivo de Antônio Raposo de Melo, marceneiro, também açoreano, primo de João
Francisco. Os dois insulanos, Antônio e João Francisco, estavam entre os 109 membros da Colônia Portuguesa da Cidade, conforme consta no livro de João Brígido, " A Fortaleza de 1845".
A outra filha, Joana, viria a ser mãe de Tereza, que se casaria com um seu tio, o poeta e romancista Manuel de Oliveira Paiva(1861-1892), que também tornar-se-ia conhecido no cenário das letras alencarinas...e, de certa forma, brasileira...
João Francisco e Maria Isabel, tiveram oito filhos : Jacinta, Ana, Maria, Luiza, Isabel, Rosa , João e Manoel. As três primeiras, tornaram-se freiras (Irmãs de Caridade-Vicentinas); as três seguintes, escolheram o casamento; João, foi poeta e músico; Manoel romancista e poeta.Ambos participaram de vários movimentos literários da segunda metade do século XIX, na Fortaleza antiga...
Com as duas filhas do primeiro casamento de João, com mais os oito filhos ,somaram-se dez filhos, uma família muito numerosa para um pobre homem sustentar condignamente.
Por esta razão, o mestre-de-obras tornou-se um homem de vários ofícios: agrimensor, entalhador, marceneiro, escultor, fotógrafo... Sabe-se, por se contar na família, que, antes de o "Mestre João"
vir para o Brasil, teria pesquisado e estudado em Paris as técnicas de daguerreotipia (criada por Louis Daguerre, em 1837).
Foto de Louis Daguerre , o inventor da fotografia
em processo sem uma imagem negativa, denominada
daguerreotipia, criada em 1837..(Foto: Google)...
Não posso aqui me furtar de transcrever um pouco dos "escritos" de meu pai, quando ele se refere ao querido avô açoreano, mesmo sem tê-lo conhecido. Assim, escreveu meu pai:
"Certamente, da figura do modesto e paupérrimo João Francisco de Oliveira, a quem João Brígido, num artigo que não tenho em mãos, por tê-lo perdido, mas que foi publicado na edição de "O Unitário" há tempos, consagrada ao grande jornalista, deu o título de "Mestre de todos os ofícios", podemos dizer que era isso mesmo. Tudo ele tentou fazer, além do ganho do pão de cada dia. Chegou a ser até medidor de terra, tendo falecido em 1871 em consequência de uma pneumonia contraída em Maranguape, quando alí foi medir umas terras. Suas tentativas em torno da fotografia tinham-lhe consumido a saúde e os recursos. No dia seguinte a de sua morte, minha avó saia da casa que ele mandara construir para residência.
Meu bisavô João Francisco de Oliveira, em auto-retrato,
em daguerreótipo. A placa de prata, com esta foto,
está no acervo da família. Bem preservada, para
as gerações futuras....
Nesta foto, temos o cruzamento da Av. Duque de Caxias,
com a Rua General Sampaio, m Fortaleza-CE, onde residia
"Mestre João" e sua família.... Aí também,
funcionava a sua oficina de marcenaria e outros ofícios,
que garantia "o pão de cada dia"...
(Foto: Arquivo Nirez)
Estava hipotecada. Esta casa ainda existe, na esquina da Avenida Duque de Caxias, com a Rua General Sampaio, nº 1462. Para o lado da Duque de Caxias ficava a sua oficina (...).Sua vida, nos últimos anos afanosa, difícil, cheia de trabalho de artista pobre mas elevada pelo talento e pelas virtudes, ali teve seus derradeiros dias. era na velha estrada do Benfica, lugar naquele tempo denominado "Três Cajueiros". Mais de uma vez, entusiasmado com com as experiências de Banho de Prata, escrevia, num português característico:- "Agora, a agoa do Benfica acentada ou filtrada ataca pouco a prata: a agoa do Benfica não destroe a prata". Isso, era em outubro de 1869, segundo a posição de seu livro de notas".
Avenida principal do Benfica. Daí vinha a "agoa" boa de que falava
o "Mestre João" que não "atacava a prata", nos seus trabalhos
com a fotografia. A casa onde ele morava, no centro de Fortaleza, na
Rua General Sampaio, era o início desta via : a Estrada do Benfica...
(foto; Arquivo Nirez)
Prosseguindo, meu pai ainda escreve: "Em fins de 1851, o Presidente Almeida Rego outorgava-o por Lei a conseguir em Pernambuco preços para várias grades de ferro, coroa e pavimento da velha Sé (...). Na Igreja da Prainha havia um grande órgão por ele fabricado antes de vir outro da Europa (...). em Canindé e Sobral trabalhou em igrejas.Construiu a capela do S.S. da Sé e em 30 de abril de 1860 contratava com o Governo da Província a capela do Cemitério São João Batista, pela quantia
de 2.873.$004. Na "Descrição da Cidade de Fortaleza",do douto historiador Antônio Bezerra, tudo isso e outros fatos se encontram relatados no que tange à capital".
E mais: " O mestre João foi também foi pintor, quis também ser escultor, sem embargo do trabalho de obter o pão de cada dia para si e sua numerosa família. À noite, enquanto dormiam todos, certa feita esculpiu um belo Cristo Morto, de dimensão de 50 centímetros, em cuja superfície vemos riscos indeléveis não sabemos de que, lápis ou tinta, que futuramente teria de colorir. A morte o impediu de terminar o trabalho".
Ficando viúva, com a casa hipotecada, Maria Isabel, como relata meu pai, foi auxiliada pelos irmãos, mudando-se para outro bairro,
um sítio no Outeiro, à margem do riacho Pajeú, próximo ao Colégio da Imaculada Conceição, correspondendo, hoje, às ruas 25 de Março(antiga do Outeiro,Pajeú), Av. Dom Manoel(antiga
Boulevard da Conceição e Av. Dom Luis), Franklin Távora (antiga São Luis) e Pinto Madeira (antiga Travessa nº5, Rua do Córrego,da Cavalaria").
Esta foto, mostra a antiga Rua Pajeú(depois chamada Rua do
Outeiro e atual Rua 25 de Março)...à esquerda, embaixo, ficava
o "Sítio Hospitalar" da Dona Mariquinha, tendo ao centro a
"famosa" Cacimba...O sítio ficava no quarteirão correspondente
à lateral da antiga Escola Normal (Colégio Justiniano de Serpa, hoje).
Foto: Arquivo Nirez)
Segundo relato de meu pai, em seus escritos, no centro do terreno, muito arborizado, havia uma cacimba, conhecida como "Dona Mariquinha", mesmo nome com que chamavam Dona Maria Isabel de Paiva Oliveira. Na frente do terreno, formou-se uma favela, durante os três anos da Grande Seca (1877, 1878, 1879).Retirantes, flagelados, da Grande Seca no Ceará nos anos de 1877
a 1879, em Fortaleza...Inúmeros, morreram de varíola...além da fome....
(Foto: google)
Maria Isabel, a Dona Mariquinha, permitira que retirantes ocupassem abrigos sob as árvores.Nesta época, conta meu pai,passou a viver com a família Paiva Oliveira, uma órfã, vinda de Oeiras, Piauí:- "Luiza Carvalho de Oliveira que, anos depois, nos contava histórias de Trancoso a mim e minha saudosa irmã Carmelita e mostrava na Lua o Senhor São Jorge, com a espada, defendendo a jovem que o Dragão tentara arrebatar, mostrando ainda o Cavalo do Santo...(....). Era voz corrente que " a cacimba de D. Mariquinha não secou durante a Sêca, porquanto a água era de graça para todos" (...).A cacimba dessa foto(do
google-Miranda)) não é a do "Sítio Hospitalar" de Dona Mariquinha. Recentemente f'ui, à Rua 25 de Março, na casa de nº 681, porquanto meu pai, em escritos datados de 1971, afirma que a referida cacimba ficara lá, ao serem construidas casas, onde era o sítio. Na época, 1971, a casa pertencia ao senhor Messias Gonçalves. Meu pai lá estivera e vira a "famosa" cacimba. Hoje, porém, lá funciona a Editora Folha do Ceará. Ao indagar sobre a cacimba, informaram-me que ela fora aterrada...
Fundo do quintal da casa nº 681 da Rua 25 de
Março. Neste local, ficava a Cacimba da Dona
Mariquinha, que resistiu, e existiu até1971...
Para não me "frustar", totalmente, fotografei o fundo do quintal
da casa 681da Rua 25 de Março....um" pedacinho", do que outrora
fora o Sítio Hospitalar de Dona Mariquinha, cuja cacimba não secou, na Grande Seca de 1877 a 1879:" a água, era de graça, para todos..."
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Estou indo, ..............................................mas volto, um abraço!