Quando li pela primeira vez Coração de Menino, memórias de Gustavo Barroso, fiquei encantada com suas lembranças da infância. Agora, quando releio o livro, faço um paralelo com outros fatos da Fortaleza do final do século XIX,e relaciono-os à minha família. O encanto, permanece.
O sumário do livro, é disposto com os meses do ano. Em cada mês, há quatro crônicas, com exceção de fevereiro, em que há cinco crônicas.
É no mês de novembro, à página 219, que está A Batalha do Beco das Bananas. Nesta crônica, o "menino" Gustavo (Barroso) cita,dentre os vários amigos, Longino Paiva, que era filho de Antônio Pereira de Brito Paiva, irmão de meu avô paterno.
Diz o narrador que sempre se reunia com os filhos do Barão de Studart na rua Formosa (hoje Barão do Rio Branco), para brincarem de manja, boca-de-forno e tal....Que convidava os filhos do Barão para tomarem parte de um "batalhão" que se
formara na Rua das Flores (hoje Castro e Silva). Mas eles não aceitavam porque o pai não consentia que eles se afastassem de casa e não os queria metidos com moleques.
Eu sou mais livre, diz o menino Gustavo, e sei que batalhão sem moleques não presta. Os meninos de família (sic)são naturalmente oficiais superiores, subalternos e inferiores, Se não houvesse moleque, onde recrutar os praças.....?
Rua Major Facundo. À direta, no quintal da casa nº 20,
à esquina da rua das Flores, ficava o Batalhão do Beco das Bananas.
A casa onde morou Longino Paiva, corresponde hoje ao nº 120.
Longino Paiva era o comandante do batalhão que estava a organizar-se na rua das Flores(hoje Castro e Silva), tendo seu quartel no quintal da casa de seu pai, o velho Antônio de Brito Paiva, que fica à esquina da rua Major Facundo (antiga da Palma), com a rua das Flores e o portão do quintal abria sobre essa última.
Gustavo Barroso, na crônica O Batalhão do Beco das Bananas, nos diz que é sargento, no batalhão do Longino, que conta mais com dois tenentes e 14 praças. O comanante Longino, relata, é o único que usa uma espada de ferro, que seu irmão desembargador lhe deu.
Este irmão de Longino, vem a ser o Desembargador Joaquim Olympio de Paiva que também é irmão do Mal. Vicente Ozório de Paiva (os dois últimos, "batizam" , hoje, ruas de Fortaleza).
Longino Paiva, era filho do segundo casamento do velho Cel. Paiva. Ou seja, o desembargador e o marechal, irmãos de Longino, eram filhos de Antônio Pereira de Brito Paiva (Cel. Paiva) com Ana Joaquina da Conceição Paiva, que foi madrasta do Barão de Aratanha.
Deixo de lado o livro Coração de Menino, e pego os manuscritos de meu pai, José Joaquim de Oliveira Paiva, primo, portanto, de Longino Paiva, e leio:
"O Cel. Antônio Pereira de Brito Paiva, o tio Antônio Pereira, tão citado em casa, irmão pelo lado paterno da vovó Maria Isabel, via-o eu, nos meus 5-6 anos, e êle com 90, levado pelos meus à sua casa da esquina das Ruas da Palma e das Flôres, creio que agora (1971) Major Facundo, 120, tendo falecido a 22 de julho de 1901.Ia lá a vovó, quando pequenos meus tios, e êle dava, a cada um, um dobrão de cobre....."
Para completar o paralelo, de que falei no início, largo agora os manuscritos de meu pai, e localizo, no Inventário de meu tio-avô Antônio Pereira de Brito Paiva, o que coube como herança ao filho caçula, Longino Paiva : contei 35 ítens, entre bens móveis e imóveis. Mesmo com essa boa herança, lamentei que Longino não
ficasse com a casa em cujo quintal montara o seu Batalhão do Beco das Bananas, decantado por seu amigo de infância Gustavo Barroso. A casa da Major Facundo nº 20, foi herdada pelo Des. Joaquim Olympio de Paiva e seu irmão, o então Cel. Vicente Ozório de Paiva.
Longino Paiva, contava 14 anos, quando faleceu o pai, em 1901.
Gustavo Barroso, tinha 13 anos, então .
Fico a me perguntar: como o comandante Longino passou a conduzir o batalhão do Beco das Bananas, depois da partida do velho Brito Paiva ?
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Eu volto.....um abraço!