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segunda-feira, 14 de julho de 2014

CRATO


Do CEARÁ:cidades de A a V  (LI)
Ao fundo, vê-se o Seminário, à frente a Igreja Matriz do Crato.
A cidade do Crato, inicialmente chamada de Missão de Miranda,resultou de um movimento missionário dos padres Capuchinhos do Recife, cujo objetivo era catequizar e civilizar os povos indígenas. Frei Carlos de Ferrara, italiano da Ordem Franciscana, foi enviado trabalhar com a "Tribo Cariri", cumprindo a sua tarefa no período entre 1730  a 1750. A Igreja Católica foi peça fundamental nos primórdios da criação e desenvolvimento dessa cidade, acelerado com a chegada da "civilização do couro" vindo da Bahia, Sergipe e Pernambuco.
Seminário São José - Crato-Ceará
NOTA: Em postagens de 2012, 27 de junho, eu já fizera referência ao
"Seminário do  Crato", quando aqui no blog publiquei a biografia de 
Manoel de Oliveira Paiva(1861-1892)escritor cearense - meu tio-avô paterno -
que fora aluno da primeira turma de seminaristas dessa conceituada
  instituição religiosa do Crato, ainda em pleno funcionamento.

Foto atual do Seminário - ao fundo, a fantástica Chapada do Araripe.
Em 3 de dezembro de 1743, quando a missão e o aldeamento já se encontravam em plena atividade, o Capitão-Mor Domingos Alves de Matos e sua mulher, assinaram a escritura de doação das terras para os índios. Ainda no século XVIII, os índios forma manisfestando hábitos de vida social disciplinados e foram reconhecidos como capazes de administração do povoado. Desse modo o Ouvidor do Ceará, Vitorino Pinto Soares Barbosa, conferiu  personalidade política à Povoação de Frei Carlos, atribuindo-lhes os foros de Vila em 21 de  junho de 1764. Nomeado CRATO, pela Secretaria de Negócios Ultramarinos, em homenagem à homônima cidade portuguesa do Alentejo, obedecendo a determinação da metrópole de que dava poderes ao Ouvidor, para fundar novas vilas no Ceará, com a finalidade de aplicar-lhes nomes de localidades lusitanas.
Pela Lei Provincial nº 628, de 17 de outubro de 1853, a vila foi elevada à categoria de cidade.
Foto bastante antiga da Igreja Matriz do Crato.
Interior da Igreja Matriz do Crato.
Foto atual da Igreja Matriz do Crato, Catedral, dedicada à
 Nossa Senhora da Penha, bem preservada.
Interior da Igreja Matriz do Crato, em perfeita preservação.
Praça da Matriz, vista do alto...TÃO ARBORIZADA!...
Praça da Igreja Matriz do Crato.
Vista panorâmica da cidade. Vê--se, na linha do horizonte,
toda a cordilheira... a imensa  CHAPADA DO ARARIPE.
Imagem bastante antiga da Estação Ferroviária do Crato.
A edificação foi inaugurada em 1926.
Estação Ferroviária do Crato, totalmente preservada.
Estação Ferroviária , vista pelo ângulo esquerdo...
Antiga Estação Ferroviária do Crato, vista por outro ângulo...Trens
 de passageiros funcionaram até por volta de 1980.
 Desde o ano de 2006, a antiga Estação Ferroviária abriga o
 CENTRO DE REFERÊNCIA CULTURAL E ARTÍSTICA DO ARARIPE.
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LOCALIZAÇÃO DO CRATO NO MAPA DO CEARÁ...

O município do CRATO, localiza-se no sopé da CHAPADA DO ARARIPE,
Região do Cariri, no extremo sul do Estado do Ceará, a 557 quilômetros de Fortaleza.
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CHAPADA DO ARARIPE...(vista do CRATO)...


Trilhas, na Chapada do Araripe..
Para não dizer que não "falei" de águas..:"Cascata do Lameiro"-CRATO
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CONCLUINDO:
CRATO, em imagens e música...   


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FONTE: Wikipédia; blog do Crato.
Fotos: Wikipédia; blog do Crato; galeria Alex Uchoa.
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NOTA: As postagens desta série, "Do CEARÁ , cidades de A a Z ",  a partir de hoje, passarão a serem publicadas uma vez à cada mês.
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Até a próxima postagem...Meu abraço!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O NORDESTE, QUARTA-FEIRA, 28 DE MAIO DE 1952

MANOEL DE OLIVEIRA PAIVA (XI)
No Seminário do Crato
J. Paiva
O município de Fortaleza, capital do Ceará, está distante 567 km 
 do município do Crato que fica localizado no sopé da Chapada do
Araripe, no extremo-sul do estado,  na Microrregião do Cariri...
(Wikipédia)
Chapada do Araripe.Região do Cariri. Crato. (Wikipédia)
Índios da  Tribo Cariri, primeiros habitantes da Região do Cariri.
(Imagem: google)
Índios Cariri. (Foto: blog Caricaturas).
Índio Cariri (foto: blog Cultura do Cariri)
Cícero Romão Batista, nasceu no Crato,
em 1844 e faleceu em 1934, em Juazeiro 
 do Norte, Estudou e ordenou-se  no 
 Seminário da Prainha, em Fortaleza.
Na foto, com 80 anos de idade.
( Fonte: Wikipédia).
Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, preservando a 
cultura do Crato. (blog Cultura do Cariri).

O vídeo, abaixo, é uma homenagem ao cantor Luiz Gonzaga, pelo centenário de seu nascimento, a se completar neste 2012. O "Rei do Baião" canta a composição de José Jatahay, "Eu vou pro Crato". Luiz Gonzaga, conhecido também por Gonzagão, nasceu em Exu, distante 62 Km do Crato. Exú, fica no Cariri Pernambucano, no sopé da Serra do Araripe...
Apreciem e se alegrem, ouvindo o "forró pé de serra", com a gostosa sanfona do "Lua", antes de ler, abaixo do vídeo, o escrito de J. Paiva...
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Assumira a Reitoria da Casa de Estudos o Padre Enrile, tendo como auxiliares os padres  Richoux e Brayde, frequentando as aulas 41 meninos.  Não sabemos se porquê o Seminário de Fortaleza, não comportava maior número de alunos, ou porquê antes tivesse em vista o Reitor mandar aqui para o Crato algum menino mais piedoso e já um pouco instruido, o único da capital ou acompanhado de outros, seguira Manoel de Oliveira Paiva, aos 14 anos incompletos, se estamos certos da data, que com muita probabilidade foi logo no início das aulas.   Supomos que êle era uma "avis rara" no meio de algumas dezenas de meninos matutos da zona do Cariri, que talvez fossem angariados para experiência, afim de dar início aos estudos.  Possuía Manoel de Oliveira Paiva uma vocação em flor, sujeita, sem dúvida,  ao fluxo do ambiente para êle desconhecido, aos incidentes imprevisíveis.  Sua mãe, Maria Isabel de Paiva Oliveira, e sua avó materna, Ana Joaquina de Castro Paiva, entregues a uma fervorosa mas consciente devoção, deviam sentir-se revigoradas, na sua pobreza, por essa vocação começada.

Meu tio Manoel de Oliveira Paiva era um menino talentoso, porém irrequieto e altivo.  Afirma-se que os colegas mais rudes ou negligentes nos estudos sentiam-se com ciumes e inveja pelas boas notas que êle obtinha constantemente.  O Reitor cada vez se totrnava mais doente, pela marcha da moléstia, pelos trabalhos e preocupações.  Surgiu então, naquele abarracamento que servia de edifício para aulas e hospedagem, uma acusação surda contra a honestidade de Manoel de Oliveira Paiva, dizem que a propósito do furto de uma ave do quintal ou de outra coisa.  Chamado o acusado, obtidas testemunhas às quais foi dado crédito porque por parte dele apenas se defendeu com a sua ingênua boa fé, o Reitor, padre Enrile,, nada se apresentando a seu favor, e afim de manter a moralidade e disciplina do estabelecimento e talvez mais contribuindo para isso seu estado de saúde, quis aplicar ao menino uma punição exemplar, recusando-se porém Oliveira Paiva a estender-lhe a mão, alegando estar inocente.   Excitou-se o ânimo do austero Reitor, que exilou, ato contínuo, o aluno para uma choupana que ficava no fim do sítio do Seminário em construção.  Em meu tio desapareceu a reflexão que poderia ter na idade que contava, num meio hostil, que não tinha até então sido o seu habitat, longe dos seus, que teriam podido intervir imediatamente.  Revoltou-se como pode, tornou-se irritado,compondo uma marcha cheia de dignidade e rebeldia infantil:  

"Quando vim da minha terra
Não foi para ser soldado:  
Foi p'ra ser seminarista 
E não p'ra ser maltratado!"

CÔRO:
"Alerta, alerta, alerta, estou alerta!"

"Tive pai e tenho mãe
Que me deram educação:
Pertenço a nobre família,
Brasileiro de nação!"

Havia outras cópias, cuja memória se perdeu.
Um parente,  Comandante do Destacamento de Polícia, soube do estado de abandono e de desespero em que se encontrava meu tio, e, na impossibilidade de poder este continuar no Seminário, agora com sua própria repulsa e revolta , tratou de fazê-lo regressar  a Fortaleza, tendo assim início o seu desajustamento com o futuro que para êle idealizara minha avó, que via fugir sua esperança de ver um filho sacerdote, mal começára os seus estudos no longínquo Seminário do Crato.
Por J. Paiva
...continua...

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NOTAS:
1- Em todos os capítulos da biografia de Manoel de Oliveira Paiva, aqui postados, venho mantendo a forma ortográfica original de 1952, quando publicado no jornal "O NORDESTE";

2- As imagens ilustrativas, que antecedem ao texto biográfico, de autoria de J. Paiva (meu pai), tem a intenção de oferecer, ao leitor, um pouco do cenário do Crato, sua religiosidade, cultura, sua gente...;

3- " Uma vocação em disponibilidade" é o sub-título do próximo capítulo da biografia de Manoel de Oliveira Paiva.

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Até a próxima semana.................um abraço!