quarta-feira, 28 de março de 2012

DO PRESENTE E DO FUTURO...

"QUEM FOSSE DEPOIS DE MIM"
"As aparências, enganam"...não é um aniversário de criança...
é  o do Rodrigo Alboim, meu único filho,no último dia 21,a 1/4
de século de seu nascimento...(ele está agachado, à 
direita de quem olha, bem à frente do seu amor, Raquel)

Em todo o mundo comemorou-se, a 21 de março último, o Dia Mundial da Poesia. Meu único filho, que por tal já é um poema, nasceu nessa data. Eu nunca havia passado, um dia 21 de março, longe do meu filho. Mas é que, atualmente, ele estuda em outra cidade e, pela data ter "caído" numa quarta-feira, não podemos estar juntos, aqui em Fortaleza, nem eu, devido ao trabalho, pude ir à cidade onde  ele está, estudando e morando, que é Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Há dias, recebi algumas fotos da comemoração do seu aniversário. Gostei de ver essa turminha saudável, de futuros doutores em Medicina Veterinária, "fantasiados" de crianças, num belo cenário "infantil " , repleto de balões coloridos. 
VIVA, A NOSSA JUVENTUDE!!!
Hoje, amigos de faculdade, amanhã, Médicos Veterinários...!!!
 Que sejam excelentes profissionais!!! Votos de mãe!!!
Fiquei tão emocionada, e compensada, recebendo essas fotos, por não tê-lo tido naquele dia, que resolvi, ainda que passados 7 dias, prestar-lhe uma homenagem, aqui... Mas de que forma? perguntei cá, "aos meus botões"!
Rodrigo segurando o bolo, ao lado do seu amor,Raquel, rodeado de amigos...
No próximo ano, estaremos juntos, para comemorar a formatura
desse belo grupo jovem e mais um aniversário do meu Rodrigo...
Decidi por uma poesia, com a "prata da casa". Lancei mão do
livro "Palavras e Coisas" do meu mano Zemaria (B. de Paiva), lembrando-me que lá havia um interessante poema ("moderno" - de 1958) dedicado à Tereza, então sua jovem esposa, quando ainda não havia nascido o primeiro filho do casal.
Folheei o livro e lá encontrei, à página 14, o poema que aqui transcrevo, homenageando o meu único filho, pelo seu aniversário:

QUEM FOSSE DEPOIS DE MIM

... que meu filho fosse simples, mas de ouro
... que meu fosse de ouro, mas justo.
... que meu filho fosse justo, mas poeta.
... que meu filho fosse poeta, mas alegre.
... que meu filho fosse alegre, mas chorasse.
... que meu filho chorasse, mas sem dores.
... que meu filho não as tivesse, mas pensasse.
... que meu filho pensasse, mas decidisse.
... que meu filho decidisse, mas com digni-
                                                        [ dade.
... que meu filho fosse digno, mas amasse.
... que meu filho fosse simples, mas de ouro.
                                       mas justo.
                                       mas poeta.
                                       mas alegre.
                                       mas chorasse.
                                       mas sem dores.
                                       mas pensasse.
                                       mas com dignidade.
... que meu filho fosse simples, mas amasse.
(Autor:  B. de Paiva ).

########


Daqui a 1 semana,+ou -, eu volto....Um abraço!

quarta-feira, 21 de março de 2012

APÓS 3 CONTOS, 3 SONETOS...

"SONS DE VIOLA",
de OLIVEIRA PAIVA (1861-1892)
Almir Sater canta "Um violeiro toca":
 música e letra de sua autoria.
Na obra completa de Manuel de Oliveira Paiva, encontramos 11 contos, 2 romances e  pouco mais de 3 dezenas de poesias...Em "Sons de Viola", que equivale a um livro, que fora publicado em jornal de Fortaleza, em 1884, há 11 sonetos. Desses sonetos, selecionei apenas 3, para hoje publicar aqui. 
Há dias descobri, na internet, o livro Os Sons dos Negros no Brasil: contos, daças, folguedos, origens - de José Ramos Tinhorão - em que é feita  referências a Manuel de Oliveira Paiva e a seu romance "Dona Guidinha do Poço", nas descrições de alguns de seus personagens, das danças, dos batuques dos negros, e até cita uma estrofe de um baião, contida no romance. Interessante, também, é a referência feita por Tinhorão ao fado carioca,  na obra de outro romancista brasileiro. Diz o autor:


Sempre com a mesma precisão de observação, Manuel de Oliveira Paiva prossegue mostrando como a dança - cantoria o baião constituía, na verdade, uma forma de samba sertanejo:
                           
                           "Os cantadores largavam a goela no mundo, impregnando no verso a volúpia do baião:
                             
                           "Todo o branco quer ser rico,
                             Todo mulato é pimpão,
                             Todo o cabra é feiticeiro,
                             Todo o caboclo é ladrão!
                             Viva seá D. Guidinha,
                             Senhora deste sertão"

Imagem da capa do livro de José RamosTinhorão
(1928) jornalista e crítico de música)...
Prossegue Tinhorão: O romancista, alíás, não deixava dúvida quanto ao fato de a "fonção do samba" cearense referido pelo personagem Silveira constitui, tal como o fado carioca ,descrito por Manoel Antônio de Almeida, não apenas dança e rítmos determinados, mas uma sequência de diferentes toques e cantorias comandados no caso desse samba sertanejo pela cadência das violas e as batidas características do baião ou rojão : (...)


A cantora portuguesa, Amália Rodrigues cantando um
"fado carioca".
Depois desta "preliminar", aí estão três dos 11 sonetos que integram "Sons de Viola", de Manuel de Oliveira Paiva...


Na beira do lago


Como um tapete de risos
Num campo de paz fecundo,
Em cujos variados frisos
De prazeres brinca um mundo.


Ao ar sadio da aurora
Assim me parece o bando
Das aves, que a toda hora,
Vivem alegres vadiando.


Nas aguapés agrupados
A tona das águas brandas
Que o vento enruga de leve


E vêm descendo as manadas
Para as marginais varandas
De areia da cor de neve.


(por Manuel de Oliveira Paiva,
publicado em Sons de Viola-1884)




Quem pode, pode, bem-te-vi!


Oh Bem-te-vi! Que estou vendo?
Desrespeita a calvície,
A humildade e a sandice
Desse urubu reverendo?


Respeita a roupa de luto
A mudez e ao tamanho,
Mesmo ao nome que tem ganho
O pobre urubu matuto


Quer nos ares, quer posado,
Quer no campo ou na cidade
Não lhe poupas com teu bico!?


Acaso és tu copiado,
Nos moldes da humanidade?
É ele pobre e tu rico?


(por Manuel de Oliveira Paiva,
publicado em Sons de Viola, 1884)


Uma paisagem


Nos cajueiros os galos de campina
Soltam corridas como chuvas d'ouro;
E, ricos e preciosos, um tesouro
São pássaros, frutos, canto e tu, menina!


Soltas, à terna viola o desafio
Na rede armada entre os ramais, que o vento
Que traz de leste o refrescor do rio,
Embalada sussurrantes, ameno e lento.


Cantas e cantas mais. Oh  doce encanto
Que no cenário tem de uma paisagem
Nuns lábios virginais alegre canto!


Mas que contêm os bardos da plumagem
Ganharás sempre a eles, pois que tanto
És bela no cantar como na imagem.


(por Manuel de Oliveira Paiva,
publicado em Sons de Viola, 1884)






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Estou indo, mas volto...........um forte abraço!





sábado, 10 de março de 2012

NO AMOR À SUA CIDADE, TERNURA POÉTICA...EM PROSA...

"O velho vovô" : mais um conto de ...
Manuel de Oliveira Paiva (1861-1892).
Porto do Mucuripe (Foto: google)
Em seu romance "A Afilhada", Oliveira Paiva (nome com o qual ficou mais conhecido), narra uma história social, fazendo evocações à sua cidade natal, Fortaleza, descrevendo lugares, ruas, bairros, com preciosos detalhes, por onde circulam os seus personagens. Neste conto, que agora trago a esta página, o autor descreve a região praieira, onde se instalou o primeiro porto da então província. Na sequência de fotos, postadas aqui, 
a partir da primeira,  do atual Porto do Mucuripe, os leitores verão imagens da Ponte Metálica, da Praia de Iracema (antiga Praia do Peixe), da Praia do Meireles, até ao primeiro porto,  um trapiche, numa regressão fotográfica ao passado...
Porto do Mucuripe, em Fortaleza, capital do Ceará, em foto recente...
COSTA DO SOL NASCENTE: praias do Ceará  a leste de Fortaleza.
COSTA DO SOL POENTE: praias do Ceará  a oeste de Fortaleza.....
(Foto; google)
Ponte Metálica,preservada, um dos antigos portos de Fortaleza, na 
Praia de Iracema (antiga Praia do Peixe), em foto recente. 
(Foto: google)

Aqui, abro um parêntese, para dizer um pouco da "história" dos portos de Fortaleza...:

A Ponte Metálica foi o porto de Fortaleza até a década de 1950.  Situa-se numa área na qual, por diversas vezes, existiu a construção de trapiches. O primeiro de que se tem notícia foi um trapiche datado de 1804. Depois foram construídos outros trapichesdos quais o chamado trapiche do Elery, construído pelo inglês Henry Elery, provavelmente em 1844, que é considerado o mais famoso deles. Em 1857, foi construído um terceiro trapiche, sendo seu construtor Fernando Hitzshky, o qual mediu 154 metros de comprimento por 17,60 metros de largura.
No século XIX, Fortaleza desenvolveu-se muito como cidade e ainda não possuía um porto para exportar produtos como algodão café e couros.
(Fonte: Wikipédia; Obs.: No texto pesquisado, há informações sobre o Porto do Mucuripe).

Porto do Mucuripe, na Praia do Mucuripe, em foto da década de
1940 (Arquivo Nirez)
Praia do Meireles, onde ainda vê-se os antigos coqueirais, por toda
a orla marítima...até a antiga Paraia do Peixe, atual Praia de Iracema 
(Foto: Arquivo Nirez).
Ponte Metálica, (antigo porto de Fortaleza) na Praia de Iracema.
(Foto: Arquivo Nirez)
Praia de Iracema, vendo-se ao fundo os antigos coqueirais (que
"deram lugar" às edificações (à esquerda) e a Ponte Metálica,
à direita, antigo porto, que está preservada. 
(Foto: Arquivo Nirez)

Um dos muitos trapiches que serviram de porto, em Fortaleza.
(Foto: Arquivo Nirez)
Este foi o  último trapiche , como porto de Fortaleza,
antes da Ponte Metálica, que foi preservada...
(Foto: Arquivo Nirez)


O velho vovô
por Manuel de Oliveira Paiva


O trapiche estava estava em seu antigo posto de honra, suspenso por uma elevada escada a cujos pés havia poços deixados pela maré, que se retraíra, e o oceano parecia magro, com os arrecifes à mostra, fugindo timoratamente, encolhido, medroso da terra. Uma interminável faixa de areia molhada, brandamente côncava, servia de guarda-pisa, entre o frouxel das ondas e o limiar da povoação. Em presença dessa  depressão geral do oceano, sentia-se a sensação de quem desce  -  a falta de fôlego de uma vertigem.

Pausadamente, homens quase nus, de tanga e ceroula curta à guisa de calções entravam pelo mar adentro e abeiravam-se, com água pelos peitos, dos lanchões que oscilava apenas, carregados de mercadorias. O calor do sol untava de suor a esses trabalhadores, de linda musculatura atlética, que suspendiam fardos, com admirável precisão mecânica, e traziam-nos para o seco. Outros, em movimento contrário, embarcavam algodão e café e couros, desempilhando altas  montanhas de gêneros acumulados pela areia, entre latadas de escaleres e esqueletos de lanchas velhas. Ao longe,  se avistava o branco velejamento das jangadas que repousavam fora do alcance das ondas. E, por toda parte, como cercando o domínio do velho trapiche, espalhavam-se  massas complicadas de ferro, quais membros esfacelados de um corpo gigantesco e bruto. Os navios amarrados, longe, lá estavam como abandonados no seio das águas, apenas visitados por tanchões vagarosos. E, de quando em vez, no deserto azul, passava a alvura imponente de uma jangada.

Recortado no peitoril do galpão que serve de vestíbulo à carcaça roxo-terra do velho trapiche, eu abismava o olhar nesse panorama vivo de sol, de terra e de águas. O firmamento era uma tela suspensa, que se encurvava, que se estirava pelos ignotos confins do poente que se cosia, rumo do norte, no debrum  longínquo do céu com o mar. A cidade  montada sobre mansos oiteiros, onde  outrora rastejaram o zéfiro e as ondas, parecia ir descendo para as areias brancas, seio amorenado pelo resfolegar da luz. Os tetos, como escudos de tartaruga, se agachavam ebriamente, sob os tufos aéreos dos coqueiros, que dedilhavam uma harmonia vaga, impalpável, com luzimentos quentes, e roçavam ilusoriamente no azul que nos abafa com aquele bojo infinito, que nos persegue por toda parte, no campo, à rua,, pelas frestas, e pelas nesgas que se entrevê de dentro mesmo das habitações; esse azul que nos enraiva, que desafia o olhar ambicioso do artista para devastar o além dessa casca terrível que os antigos foram obrigados a julgar solidamente brochada de estrelas, de lua e de sol.

Voavam nuvens, verdadeiros flocos de espumas esparsas, macias que pareciam roçar nossas faces como cabelos finíssimos de crianças. Aquele azul sublime entrava-me pelas narinas!

E, finalmente, o mar enchia. Aqueles rochedos negros que emergiam à altura do porto, ia ser abafados. O comércio não podia mais refrear o ímpeto da onda. Soava  a hora do paralisamento. Aí  daquele que se arriscasse  ao bruto! Os barquinhos e lanchas impavam aflitivamente. E só a jangada é que se aventurava a passar audaciosamente o rolo do mar.

Entretanto,  o seio virgem das areias era, pela primeira  vez, mordida pelo dente da ciência humana. O calmo inglês fazia aquele mesmo homem de tanga e ceroula à guisa de calção, batizar a sua terra pagã de indústria; e a fúria do mar batia-se tolamente; como os heróis da guerra ante os obscuros mineiros e os profundos pensadores: enterrava-se o primeiro pagão do viaduto, a primeira molécula daquele gigante que estava esfacelado pela praia  afora.

E a massa roxo-terra do velho trapiche balançava-se na maré cheia, como barco encalhado, oco, apenas com os camarins de empregados e apetrechos de embarcações; o lampião da vigia apagado, fumaçoso, com o azeite frio; a luz entrando pelas gretas; - ele caíra aos pedaços, triste pela decepção, macambúzio! - ele, o velho vovô, do tempo em que minha avó dizia à minha inocência de criança que os meninos vêm é do mar, quando eu lhe perguntava donde a gente.

Amo tanto aquelas tábuas, e aquelas ondas brancas de cujo turbilhão eu via a cada instante rebentar um nenenzinho!
(1887)


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Vou e volto................................Um abraço!
















sábado, 3 de março de 2012

DEPOIS DE "O ÓDIO"... "A PAIXÃO" :

CONTO DE OLIVEIRA PAIVA (1861-1892)...
Igreja do Pequeno Grande tendo, ao lado, o Colégio da Imaculada 
Conceição. A Igreja foi construída posteriormente ao colégio. Neste 
Colégio estudaram todas as irmãs de Oliveira Paiva, sendo que,
três delas tornaram-se Irmãs de Caridade.(Foto: Arquivo Nirez) 
Manuel de Oliveira Paiva nasceu em Fortaleza, em 22 de junho de 1861. Vivendo no seio de uma família extremamente católica, foi enviado muito cedo, aos 14 anos de idade, para cursar o Seminário do Crato, no Ceará. Na realidade, o referido seminário foi instaurado no ano de seu ingresso nele: 1875. Era o único aluno da capital, Fortaleza, todos os demais, da 1ª turma, saíram de cidades do interior do estado do Ceará.
Nas biografias, que até hoje lí, do escritor, consta como ele tendo "cursado" o seminário. No entanto, ele permaneceu no seminário por pouco mais de um ano. O motivo de sua saída, cujo teor é relatado em uma biografia inédita do escritor, elaborada por José Joaquim de Oliveira Paiva(1895-1977), (seu sobrinho materno e meu pai),  é bastante inusitada, e será assunto de uma postagem futura...

Depois de pouco tempo de sua saída do Seminário do Crato, Oliveira Paiva resolveu seguir a carreira militar no Rio de Janeiro. Paralelo aos seus estudos  na área de Engenharia, na Escola Militar, desenvolveu suas atividades intelectuais, escrevendo em jornais da própria corporação onde servia.
Acometido de tuberculose, algum tempo depois, retornou várias vezes à sua terra natal, para  o tratamento da doença. Numa de suas vindas, veio a falecer. Era o dia 29 de setembro de 1892,  e contava, apenas, 31 anos de idade. Deixou viúva, sua própria sobrinha, Tereza, com quem se casara dois anos antes, e uma filha, Jacinta, com 10 meses de idade.
Tereza, a "prima Tetê" como meu pai a chamava, casou-se em segundas núpcias, alguns anos depois. No dia 9 de outubro de 1892, em virtude de sua morte, o jornal "O Operário" , de Fortaleza, publicou um número especial com uma POLIANTÉIA, onde consta o depoimento de 30 amigos do escritor. Esse tema, também, será trazido a estas páginas, oportunamente.
Maria Isabel Paiva de Oliveira e Jacinta de oliveira
Paiva, mãe e filha de Manuel de Oliveira Paiva.
Jacinta, tornou-se freira franciscana, vindo a falecer
no ano de 1942, ano em que eu nasci. Há poucos
anos fiz pesquisa sobre sua vida religiosa. A causa
de sua morte, foi a mesma de seu pai: tuberculose.
(Foto: Arquivo próprio)
Vale aqui dizer que sua mãe, Maria Isabel, muito se  abateu, por ver seu sonho, de ter um filho padre, desfeito...Mais triste ficou, ainda, quando o viu partir para a Corte (como era chamado o Rio de Janeiro, por ser a Capital do Império, então). Ao vê-lo retornar algumas vezes a Fortaleza, mas doente, a pobre mãe sentia um misto de alegria e desventura...A morte prematura do filho, deixando-lhe uma neta órfã de pai, em tão tenra idade, veio tornar o quadro  ainda mais desolador...
O que consolava Maria Isabel, era ter, além da neta, mais um filho homem, João (poeta e músico), e seis filhas mulheres. Três, destas filhas, escolheram o  matrimônio, as outras três, optaram por serem freiras (Irmãs de Caridade, de São Vicente de Paulo). Estas três irmãs, iniciaram-se no apostolado do Colégio da Imaculada Conceição, cuja foto ilustra o início desta postagem.
Irmãs de Caridade. (Foto do blog  Acaraú para recordar) 

A PAIXÃO
(Por Manuel de Oliveira Paiva )

Daquela varanda ela assistia às cerimônias. É verdade que alí, por ser muito alto, sentia-se toda aquela calidez incômoda todos aqueles eflúvios do corpo humano viciando o ar e subindo invisivelmente a enrubecer-lhe a tez e a perseguir-lhe o nariguinho afilado; mas por si: o mesmo estava constantemente a agitar o seu grande leque de seda, que afastava-se e aproximava-se do seu coração como uma enorme borboleta negra.
Havia claridade pouca, suficiente porém para o livro da semana santa poder espelhar-se no olhar calmo e profundo e inocente, as carreirinhas de tipos muito negrinhos no papel branco.
Todavia, a falar a verdade, aqulas palavras não podiam despertar-lhe idéia alguma, visto como em um só peito não se podiam abrigar dois amores ao mesmo tempo pela lei física da impenetrabilidade.
E assim, descansava o olhar, que era o veículo por onde o seu espírito mais se impressionava, percorrendo vagarosamente o grande todo do templo. Tudo era vendado.
A vidraçaria pintada do coro impregnava de palor os lados do imenso vulto escuro do órgão. Os cantores, de preto, arrumavam-se entre os fiéis que invadiam o recinto a eles reservado, e nem o pavilhão de ofclide brilhava com o seu reflexo de arame.
De um lado, ali no coro, aglomeravam-se em ordem as educandas do colégio, e via-se o chapéu das irmãs de caridade, como grandes aves que querem voar. A ordem superior de varandas, bilateralmente, estava repleta, e a inferior, com os seus balaustres brancos e o seu coreto de linhas de cadeiras ascendentes.
Era como num teatro em que houvesse enchente à cunha.
As grossas colunas da nave pareciam caçapar-se ao peso das parede  altíssimas.
Grandes véus negros encobriam as duas capelas colaterais. Nas aras velas de cera de um amarelo sombrio e cru, em castiçais pretos e cada nicho estava transformado numa janela escura.
O doirado das obras de talha destacava-se apenas, bordando o custoso emolduramento dos altares como uns longínquos luzimentos mundanos.
La dentro da capela-mor as janelas de varandas auribrancas estavam prenumbradas. Do enorme pano que tocava no teto e erguia-se ao fundo do templo sentia-se baforar toda aquela escuridão que se equilibrava no ar, e dilatava-se por todos os cantos. O mármore róseo do arco da capela-mor abria em iris sobre aquela nuvem negra; e lá no tapete multicolorido, os padres, uns de batina e sobrepeliz de rendas, outros de alva e casula cor do sol, diziam segredos em voz alta, ora paravam, ora iam, ora vinham, ora assentavam,, misteriosos, vagarosamente, lendo em grandes livros, queimando incenso, e soltando para o espaço, como aves negras, umas após outras, as notas tristes do cantochão. A fumacinha como prateada do incenso perdia-se logo.
Algumas vezes punham a mitra, depois de beijá-la, sobre a fronte encanecida do diocesano, e este levantava-se com o seu rico capelo de ouro.. Aparecia, às vezes,, com o seu roquete de finíssimo bordado, com a batina roxa, e a sua murça que lhe dava uns ares reverentes, e o grosso trancelim com a cruz cravejada caindo sobre o peito e o anel de esposo da igreja, às vezes com pesadas capas de rei, com púrpura e arminhos; às vezes com a longa santidade das vestimentas pontifícias.
Mas os sentimentos dos fiéis não estava geralmente para esse recinto do sanctus sanctorum, para o simbólico erudito das cerimônias, para a piedade do ato, dentre aquela multidão a mais não poder, com o espírito lia-se os espíritos na direção ou no vago das pupilas, na atitude dos ouvidos, nos lábios em sorrisos, em conversação, ou em recolhimento, na fronte, no porte, no todo compungido ou disfarçado, religioso ou mundano.
Da capela do Sacramento, ouvia-se bater um martelo, ensurdecido, acolchoado e, de quando em vez, a rangedeira abafada de uns passos cautelosos. Naturalmente, preparos de novas cerimônias.
Grunhiam os pesados gonzos de uma longa porta sumida num dos corredores, entrando ou saindo alguém, e um jato de claridade branca e diurna, despejava-se pela igreja. Depois voltava o escuro.
Nas altíssimas janelas da nave, que dão para cima dos telhados, o dia salpicava apenas pela fímbria dos tristes véus pretos, e ornava de estrelas os buraquinhos do pano. Pedacinhos de claridade caiam esfarinhados, na parede. O órgão às vezes mugia, às vezes balava, ou soluçava e gemia, acompanhado pelo violoncelo, pelo ofclide, pela flauta e pelo delgado violino penetrante sob o grosso esvoaçar  das vozes dos cantores. 
Era uma provocação desabrida para as lágrimas.
E, enfim, no púlpito suspenso na parede, cujo caimento parecia repassado do esfuminho, apareceu o padre, um rapaz gordo, alvo, risonho, fazendo muito por tornar-se carrancudo com as largas mangas do seu roquete caindo sobre a toalha que arrodeava  o corpo da tribuna.
Virou-se para o santuário e persegnou-se largamente. E, depois, com as duas mãos nas bordas do púlpito, debruçando-se para o auditório, começou, alto e pousado e vibrante:
- Et inclinato capite...tradit spiritum!...
E toda aquela multidão distribuida e apinhado pelos corredores, pelas varandas, pelo coro, pelo corpo da igreja, pelo pé dos altares, por todos os cantos, prestou olhos e ouvidos.
O pregador se destacava bem. Um pouco acima de seus cabelos crespos ficava o alto da porta, ornado de um frontão que desprendia uma auréola, como um sol desabrolhando. O corpo da tribuna findava em uma maçaneta, para baixo, como um cacho de uvas de ouro atado à ponta de uma cortina. E todos olhavam para cima, e o padre continuava na placidez da sagrada eloqüência.
De quando em vez saia-lhe como um raio trêmulo, como uma faísca elétrica entre os rebordos  das nuvens aclarados e escurecidos momentaneamente.
E prosseguia a chuva abundante da palavra de Deus.
Como a chuva ensopa com o inverno e fazem nascer as sementes no agreste, assim as almas estremunhavam, acordavam e, metidas no sombrio, na luz coada, no morno, despertavam da carne pecaminosa e esterilizada...
Em dado momento, apareceu nas mãos do pregador uma tela pendurada, um lençol branco e nele estampado a imagem de um homem despido, com uma toalha nos rins.
E, em lágrimas, num trêmulo crescente, a mão vacilante, cheio de dor, o padre murmurava choroso:
- Ei-lo, ei-lo o vosso pai, o vosso amigo, o vosso irmão,, o vosso Jesus...ei-lo... assim maltratado, assim golpeado...Esta cabeça cheia de ciência, rasgada por uma coroa de espinhos; este coração fonte de amor, atravessado por uma lança; estes joelhos, que só se dobravam para levantar os mortos e curar os enfermos, descarnados até os ossos; estas mãos repassadas de divino eflúvio, esmagadas barbaramente por duros cravos; estes pés, que palmilharam sobre as ondas, conjuntamente arrepelados e arrebentados com um cravo dilacerante; estes ombros, vede-os cristãos, vede-os como ficaram no peso da cruz...vede-os..."
E a mor parte dos fiéis soluçava...Já não se via contínuo e embastido movimentos de leques pela superfície da multidão. Ouvia-se um guincho de uma mulher nervosa e o assoar do bendito muco do choro santo...
Sentia-se uma consternação inexprimível!
Eu ajoelhava prostrado ante a divina figura do Mestre e o meu olhar trespassava-lhe também o coração fonte do amor. Mísero pecador, sumido na multidão, quisera que me visse, que soubesse que eu lhe quero bem. E parecia de seu peito cair o sangue tão puro e verdadeiramente como caiu no Calvário. Eu tinha vontade de lhe gritar  - Eu te amo porque tu sofres.
Entretanto, senti que no coração dele outro olhar estava abrigado, e que o meu espírito, que lá estava, pergunta - Que quereis? E quase o outro olhar me pergunta o mesmo.
Inquirimo-nos, entretanto, conjuntamente: - Aqui não é a fonte do amor?
E as duas almas, feitas uma para a outra, encontradas la dentro do coração de Jesus disseram-se: - Bebamos, pois, da fonte do amor!...
O padre continuava, mas nós não entendíamos. O meu corpo inane caia cada vez mais sobre os joelhos, numa adoração profundíssima. E do sudário, desaparecera o Jesus sanguinolento, para pintar-se ela com o seu vestidinho preto e e as suas pulseira de ouro, a olhar-me para meu coração soluçante.
O padre me apontava era para os lábios mudos de sentimento, e e para a sua fronte livre de pesadumbres.. E gritava-nos: - Amai, arrependei-vos do tempo perdido...
E eu apertava o meu peito com as duas mãos.
E adormecido, entorpecido, ignorante, alheio, tomado de dor e de ventura, ouvi as últimas palavras: et tradit spiritum...e entregou o seu espírito.
(1888)


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Vou....... mas volto!.................Um abraço!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MANUEL DE OLIVEIRA PAIVA (1861-1892)...

...MEU TIO-AVÔ PATERNO:
romancista, poeta, contista...
Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892), em seu
uniforme de Cadete, da Escola Militar do Rio de Janeiro,
provavelmente por volta de 1878...(Foto: arquivo próprio).
João Francisco de Oliveira, pai do Escritor...
(Foto: arquivo próprio)
Maria Isabel de Paiva Oliveira, com sua
neta Jacinta, ao colo...Mãe e filha de
Manuel de Oliveira Paiva.
(Foto: arquivo próprio)

Quem é leitor "cativo" deste blog, já conhece esses  
personagens da (minha) vida real, cujas fotos estão expostas acima...Em postagens anteriores os descrevo, em detalhes, e mostro o  meu grau de parentesco com todos eles. Nessa publicação, trarei a relação nominal da "OBRA COMPLETA  DE OLIVEIRA PAIVA" e, apenas, um de seus CONTOS - "O ódio" . Sua biografia, para quem se interessar em conhecer esse escritor cearense, poderá ser encontrada na WIKIPÉDIA. Toda a sua obra - Romances, Contos e Poesias - está, integralmente, na Wikisource (internet)...com  a exceção de uma peça teatral, "Tal filha, tal esposa"...que ficou inédita, junto a outros poemas e contos...Perderam-se, no tempo...


Obra completa, de  Oliveira Paiva...


CONTOS:
* A barata e a vela (1887)
* A melhor cartada (1887)
* Corda sensível (1887)
* O Ar do vento (1887)
* O Ódio (1887)
* Pobre Moisés que não foste(1887)
* Variação sobre um tema de Buffon (1887)
* De pena atrás da orelha (1888)
* De preto e vermelho (1888)
* A paixão (1888)
* Ao cair da tarde  


ROMANCES:
* A Afilhada (1889)
* Dona Guidinha do Poço (1891)


POESIAS:
Nota de Oliveira Paiva para A tacha maldita:
Escutem...
Este livro é um tributo de homenagem que a LIBERTADORA ESTUDANTIL frente a PROMOTORA DA INSTRUÇÃO DOS LIBERTOS e à  LIBERTADORA CEARENSE. A esta porque libertou o escravo, àquela  porque instruiu o liberto. Seja. Obedecemos, apenas, a nós mesmos. Sejam porém sinceros com
M. DE OLIVEIRA PAIVA.
NOTA MINHA (Lúcia Paiva):
Vejam...
Manuel de Oliveira Paiva, meu tio-avô paterno, foi dos mais atuantes ABOLICIONISTAS CEARENSES...


* A tacha maldita  - subdividido em: 
. Primo
. Secundo
. Tertio
. Quarto
. Quinto
. Sexto
. Sétimo
. Oitavo
. Nono
. Décimo


* Vinte e cinco de março
   O Sono
   . O séquito
   . Sepultação
   . Memoração


   A visão 
   . A Ilha da Quimera
   . Pátria


* Sons de viola
 . Na feira
 . Quem pode, pode, bem-te-vi!
 . As ninhas cantigas
 . Na beira do lago
 . Gente alegre
 . O meu coração
 . Tua alma em flores
 . À tardinha
 . Uma paisagem
 . Bandos tristes
 . Vida!


* Aos 55
   . Poesia publicada originalmente no jornal O Libertador, de Fortaleza, em 1884
     . Deputados  gerais negreiros que negaram mensão honrosa à província do Amazonas
(Fonte: Wikisource)


Nesta foto, estão alguns membros da Sociedade Libertadora Cearense. 
Manuel de Oliveira Paiva  é o 1º sentado, à esquerda de quem olha.
Na fila em pé, o 3º da direita para a esquerda é Antônio Bezerra de Menezes 
(historiador, poeta, escritor...)meu tio-avô materno. No século XX, em 1932, 
as famílias Oliveira Paiva e Bezerra de Menezes (em Fortaleza-Ceará), se
 "uniriam", com o casamento de meu pai (José Joaquim de Oliveira Paiva)
com a minha mãe (Maria José Bezerra de Menezes). Meu pai era sobrinho
materno do Abolicionista Manuel de Oliveira Paiva; minha minha era 
sobrinha paterna do, também, Abolicionista Antonio Bezerra de Menezes.
(Foto: Arquivo próprio)

Desenho de um "Navio Negreiro". Desconheço a sua autoria.
(Imagem do google). Apenas, pra ilustrar o conto "O Ódio" ,de
Manuel de Oliveira Paiva.

O ÓDIO
(por Manuel de Oliveira Paiva)


Junto à amurada engoiava-se uma gaiola de paus, como um pêndulo, sombras de velas e cordagens iam e vinham vagarosamente ao bel prazer  da flutuação.
Rondava dentro da jaula um gato maior que um cachorro grande. Perto, quando clareava, reluzia o olhar de um negro, acocorado no sopé do mastro, com as mãos cruzadas abraçando os joelhos.
Via-se bem o animal preso, movendo-se com pés de seda e garbo de mulher.
Passeava desdenhosamente. Amarelo fulvo, lindamente mariscado com patacos pretos, como não há veludo.
Quando alguém aproximava-se, a fera largava uma roncaria por entre presas, e dava botes aos pares, explodindo bufidos espantosos.
O comandante muitas vezes desanuviava a sua cerveja fazendo-se  espectador da eterna aversão e tolhido orgulho do bicho feroz, de cujo cativeiro abusavam; faziam-se trejeitos, cutucavam com um bastão, davam-lhe um pau para morder, de modos que o animal parecia chorar de raiva.
O piloto, muito chalação, desandava-se descompostura:
-  Anda lá marafona! Pensavas qu'isto qu'era furna? Olha que ela pega-o comandante!
E daí, amabilizava com uns nomes feios - filha desta, filha daquela, como se fosse entre duas pessoas:
-  Eu não lhe tenho medo, porque lá arrebentar esse nicho é o que ela não pilha.
Nessa noite, o negro notou um lume que boiava no escuro do oceano, como um pirilampo; o seu pensamento, que por uma simpatia de gênios e de condição costumava ater-se à onça presa, apegava-se agora a esse nonada fosforescente.
Muito depois, o foguinho crescia, e o negro foi obrigado de ao pé do mastro, por via das manobras de bordo. O diabo do lume tinha coisa: o navio evitava-o como se estivesse cheio de pólvora e essa tocha distante fosse uma faísca a perseguí-lo perversamente.
O negro, sentindo que havia um perigo qualquer volveu de novo o pensamento para o tigre. Antegustava  uma satisfação feroz, prevendo um belo horror de destruições. Apertavam as vozes de comando, e o mestre enfurecia - quisera ter os punhos do mundo inteiro para torcer o rumo do vento! Era uma vela meter-se onde eles queriam e bambeavam com os paroxismos de um sossobrante. Havia um demo no espaço negro a embirrar com o barco.
O comandante e oficiais ainda estavam bêbedos da orgia que tiveram ao sair do porto.
O escravo, supersticioso, jurava entre si que que o lume que se aproximava era o espírito maligno, em feitio de macaco, às cabriolas de onda em onda, com uma brasa na boca. Ele via até os ziguezagues na trajetória do farol movediço.
Assombrado pela certeza do perigo, ele descera, e voltou com um machado. No pescoço conservava o seu amuleto. Estava armado para o desconhecido. Fazia muito frio. começou a espalhar-se um medo, insinuativo no meio da treva, e mais tarde o pavor.
De repente a luzinha estava mesmo em cima deles, emaranhada no porte alevantado de um paquete a vapor.
Um estremenção prolongado, como um desabamento, saiu do navio todo, que reagiu nas ínfimas veiaduras do cavername. O pessoal ficou um instante bestializado. E, depois, como um bando turvo de vampiros no seu voar frouxo e mortuário, saia de todos os poros a idéia de morte., O vapor, cujo era o farol fatídico, havia metido a pique o barco, e talvez tivesse também sossobrado, matando-se sem reconhecer-se, arrastados pelo demônio das colisões marítimas, um daqueles que ao cair do céu ficaram nos ares prestando ao gênero humano o relevante serviço de fazer-lhe o mal.
O negro levou as mãos à cabeça. Sob a noite estrelada, ele via  os borbolhões  do horrendo por toda parte. Escaleres ao mar, salva-vidas, aconchego de desespero dos que se amam, considerações para os delicados, heroísmo dos fortes, num rápido.
Dele não se lembravam. A noite de sua pele casava com a do espaço entremeadas pela de sua vida. Sua alma hostil armara-o de machado, porque ele, desde menino, ouvia falar de corso e de piratas. Isto sim, lhe seria um triunfo. Entanto, restava-lhe boiar, e ainda se fosse possível. Não podia prestar serviços, porque ninguém se entendia, assim nas goelas da morte. E achando-se de braços cruzados, sobre o abismo, ele, o forte, o valentão, o calmo, o herói, o hércules. No véu das sombras viu bruxulear os olhos do tigre. Ah! e a fera não teria direito ao salvamento? A desordem a bordo era insuportável. Um salve-se quem-puder! E o possante bruto humano ergueu o machado e descarregou um golpe sobre a jaula. Ébrio de sua majestade, arriou novo golpe, e repetiu. A fera recuara para o fundo, e quando viu o rombo que a desagrilhoava, atirou-se...ávida, por beber sangue e doida de fome. Rolaram no convés a onça atacada com o escravo.
O navio empinava para a profundez. Na voragem, a fera retornara à gaiola, que flutuava nas águas, enquanto o cadáver do escravo descia no abismo, talvez com a íntima satisfação de ter libertado uma fera, entre eles perdurando uma certa simpatia de gênios e de condição.
Era ele que tratava do tigre. Amava-lhe o rancor eterno. Achava-o formoso, tão dourado, tão liso, tão forte!
Comprazia-se em matar-lhe a sede e a fome. Amava-o porque o bicho indicava ser insensível ao amor. E foi um grande prazer desaparecer da vida deixando em seu lugar um bruto que era a concretização do ódio, humor necessário à vida social, como o fel à vida individual! 
(1887)


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IMPORTANTE!

1- ABOLIÇÃO NO CEARÁ - A  campanha abolicionista no Ceará ganha a adesão da população pobre. Os jangadeiros encabeçam as mobilizações, negando-se a transportar escravos aos navios que se dirigiam ao sudeste do país. Apoiados pela Sociedade Cearense Libertadora, os "homens do mar" mantêm sua decisão, apesar das fortes pressões governamentais e da ação repressiva da polícia. O movimento é bem sucedido: a Vila do Acarape (CE), atual Redenção, é a primeira a libertar seus escravos, em janeiro de 1883. A escravidão é extinta em todo o território cearense em 25 de março de 1884.

2- A Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil, só seria assinada, pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888.
(Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br).


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Agora, estou indo,.................mas eu volto!.................Um abraço!                            

sábado, 18 de fevereiro de 2012

ESTÁ FAZENDO UM ANO...

HOJE, É O 1º NATALÍCIO...
...Da Cadeirinha de Arruar!!!
Obrigada, aos mais de 33 mil acessadores!!!
Obrigada, aos mais de 200 seguidores!!!
OBRIGADA  a todos, pelos incontáveis comentários!
Estamos em pleno CARNAVAL, festa do povo, estamos
também em FESTA, na CADEIRINHA....porquanto,
sem os leitores, CATIVOS ou FORTUITOS, não seria
 possível tanta satisfação, com esses agradáveis  RESULTADOS...
neste maravilhoso "SÁBADO GORDO" ...


...F E L I Z   C A R N A V A L !!!






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     Já estou indo................mas eu volto! ............. BEIJINHOS!!!