terça-feira, 27 de dezembro de 2011

MOMENTOS IMPORTANTES...

Presente, o "CORAÇÃO DE JESUS " !  (Momento I)
(foto: Lúcia Paiva)
São  tantos, os NOTÁVEIS que venho selecionando no decorrer de minha vida! Citá-los aqui, tornar-se-ia cansativo, tão longa é a minha listagem de homens e mulheres que representam, de fato, o ser humano e que se tornaram ícones por todo o Planeta Terra.
Qualquer um que eu escolhesse, para a postagem de hoje, estaria bem representado, nos itens bondade, doação, humildade, amor...
Entanto, sobre o homem que escolhi, tenho uma história pessoal a narrar....Mais: dos personagens da minha listagem, ele é o mais antigo que permanece VIVO, no imaginário popular.Sem ele, não teríamos o ANIVERSÁRIO mais festejado no mundo...

Na minha cidade, Fortaleza, quando menina, observava que a grande maioria das casas, por serem habitadas por famílias católicas, ostentavam, na salas de visitas,  imagem do  
"Coração de Jesús".  Na minha casa, além dessa imagem, o calendário anual, a tradicional "folhinha", também tinha estampada uma imagem semelhante. Meu pai não admitia o "não destacar", dia a dia, do pequeno retângulo de papel onde vinham impressos, além do "santo do dia", outras informações religiosas.


Eu sempre ficava intrigada com a imagem do "Coração de Jesús" enquadrada na parede da sala, por uma única razão: eu olhava para ela, estivesse onde estivesse, à sua frente, à sua direita ou à sua esquerda, mas Ele sempre me acompanhava com o Seu doce olhar.  Devido à essa "impressão" que eu tinha, associava sempre, esse desvio de olhar, d'Ele, ao que minha mãe dizia: "Deus tudo vê, estejas onde estiveres". Como a gente "aprendeu" que Jesus é Deus, eu estava sempre a me comportar bem "direitinho", como "boa menina"...


Depois de muitos anos passados, sessenta e qualquer coisa, não sei que fim levou a imagem do nosso "Coração de Jesús"  da sala de visitas: "sumiu, ninguém sabe, ninguém viu"... como se dizia, popularmente...


Mas aquele quadro, ou melhor, o "sósia" dele, viria às minhas mãos, mais dia, menos dia, mesmo depois de várias décadas...


Pois bem: em 1984 ( eu me casara em 1980), fiz uma primeira viagem à India, mais precisamente à Goa (possessão portuguesa, 1510-1961), para conhecer minha sogra e demais familiares de meu marido que lá ele deixara, quando emigrou para Angola, onde viveu sete anos, e depois para o Brasil, em 1977. Depois das apresentações à família dele, a primeira observação que fiz da casa , ao olhar as paredes de sala,  foi "cruzar", o meu olhar, com "Aquele" mesmo olhar: sereno, doce, inebriante... Não pude me furtar à exclamação:

- "É Ele!". 


A imagem era a mesma. Havia apenas uma diferença: esta que eu via, então, era toda ornamentada com nuvens, brilhos e flores, por sobre a gravura, idêntica àquela, que tínhamos lá em casa...A nossa era simples, só a tradicional imagem, sem enfeites aderentes.
Foi então que minha sogra revelou que fora ela que fizera aquelas flores e ornamentara a imagem, usando ainda tecido de veludo vermelho, algodão e purpurina para complementar o arranjo que envolve todo o busto de Jesús.  Minha sogra, soube depois, pintava, bordava , fazia croché, tocava piano.... Era uma artista, portanto!


Dias depois,quando eu  já estava bem ambientada na família, minha sogra, Dona Zolmira  Flaviana Helena Pertonila Fernandes Rodrigues, a quem passei a chamar de "mãe" (costume goês), chamou-me e ofertou, ao seu filho e a mim, a imagem do "Coração de Jesús" que, desde seu casamento, mantivera sempre na parede da sala de visitas de sua casa. Como a imagem da minha casa, aquela esteve sempre presente na infância e adolescência do filho caçula de Dona Zolmira, que um dia se casaria com a filha caçula de Dona Mazé: uma mesma imagem, no ex Brasil Português e na ex Goa Portuguesa. Tão distantes e tão próximos, na religião e em muitos outros costumes. Que nome, daríamos a esse encontro? FELICIDADE, talvez!


Assim, o doce olhar da imagem de Jesus, semelhante ao de minha infância e adolescência, voltou a me acompanhar...desde 1984...Está aqui, na parede da sala de visitas, até quando, eu não sei...

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A todos aqueles que tomaram acento nesta Cadeirinha, meus votos de  um 2012 pleno de HARMONIA, segundo a segundo...


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Estou me retirando, serenamente, mas volto....Um abraço!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DOIS MILÊNIOS... &...11 ANOS ! ! !

MAIS UM NATAL !!!


Amigos, irmãos, camaradas... há pouco, postei esse mesmo vídeo, no "facebook"... Achei tão belo!  É com este mesmo sentimento, da letra da canção do compositor e cantor Peninha (que é filho de cearenses- nasceu em São Paulo), que  desejo a todos vocês  um lindo Natal de Luz,  fazendo as palavras de "ABRE o CORAÇÃO", palavras minhas...



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Antes de se findar, 2011, eu volto...............Um afetuoso abraço!




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MUDANÇAS ...

...NÃO HAVIA  "NOTADO":
mudou tanto, no meu quarto, a paisagem da janela... 
(Imagem do google)

Quando vim morar no "SOLAR DO BENFICA", na antiga Rua da Cachorra Magra, hoje Rua Mareachal Deodoro, em Fortaleza, avistava, da minha janela, duas enormes caixas-d'água, construídas na década de 1920, na antiga Praça da Bandeira, hoje Praça Clóvis Beviláqua, no centro da cidade... 
Quando menina, era essa a Praça da Bandeira que eu conhecía... Hoje,
tem outro nome, Clóvis Beviláqua, e encontra-se bastante deteriorada...
(Foto: Arquivo Nirez) 
Vizinho ao prédio onde moro, no quarteirão em direção à cidade, ainda existem casas bem baixas que deixam ver, por sobre os seus telhados, várias edificações do centro. Ainda avisto, da janela do meu quarto, duas torres de igrejas: a torre da Igreja São Benedito e a torre da Igreja Santa Rosa de Viterbo.


Nesta igreja,de São Benedito, ia com  minhas irmãs e meu
pai, pelos anos 1940 e 50, para a "Adoração ao Santíssimo".
(Foto: Panoramio)
Igreja Santa Rosa de Viterbo, anexa ao um convento da ordem das irmãs 
franciscanas.  (Foto: Panorâmio)
A visão que eu tinha, quando vim para cá, já sofreu grandes alterações, devido à edificação de vários imóveis de muitos andares.  Das duas caixas-d'água avisto, atualmente, apenas, a parte mais alta de uma delas. Com relação às duas igrejas, a visão, a partir da minha janela, também foi bastante alterada: vejo, das duas igrejas, apenas a parte mais alta das torres... 
No entanto, consigo ouvir o sino da Igreja de São Benedito, quando toca a Ave Maria, ao cair da tarde, além da batida das horas... Ou seria da Igreja Santa Rosa de Viterbo? Não sei, sinceramente, são tão próximas, vou pesquisar...rsrs


A cidade vai se modificando, sem que a gente se dê conta. Hoje, parei, olhei...e vi que muito mudou do que eu via da minha janela, há alguns poucos anos. Ainda bem que tenho a visão dos quintais de muitas casas vizinhas, todos bastante arborizados, com árvores frutíferas, floridos, atraindo pássaros que cantam ao amanhecer...Que permaneça assim, por muitos e muitos anos, mesmo depois que eu me mudar do  "Solar do Benfica"...


Diante dessa "tomada de consciência", nas mudanças que percebo na paisagem da janela de meu quarto de dormir, pensei em registrar, em versos, os sentimentos que em mim brotam...agora:

QUADROS*

O céu recama-se de nuvens
                                brancas
                                  cinzas
                                    raras
A variação é perene e bela
São tantos os quadros expostos
Nas claras paredes da sala. 
Todos ali estáticos na estética
Todos emoldurados em "ouro-velho"
Todos envelhecidos pelo tempo 

Este que adorna o quarto de dormir
Em que o céu recama-se de nuvens
                                            brancas
                                              cinzas
                                                raras
Tem as cores renovadas dia a dia
Tem o aroma das  flores que renascem
Nele a paisagem é movimento
Nele a moldura é de marfim
Nele a chuva cai como neblina
                                        calma
                                          forte
                                  torrencial

Semelhante à aurora a contemplar
Do lado oposto da casa.
No Quadro Vivo do Quarto
Há o arrebol do fim da tarde
São tantas as nuances
À noite surgem estrelas
Quase sempre... há Luar...
*("poesia bissexta", de Lúcia Paiva)

                                         ...para compor a ideia....reflexiva...

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Vou, mas volto.........................................Um forte abraço!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

UM SINISTRO, FEZ--ME RECORDAR....

...MINHA 1ª PROFISSÃO :
"fazedora" de tranças, ... de rede de dormir!


Em 1952, nossa casa da Rua Saldanha Marinho, no então bairro José Bonifácio, em Fortaleza, ficou pronta. Foi a 1ª casa que o papai mandara construir. Hoje, minha irmã Zélia Maria, mora nela, com o marido, filhas e netas. Mas, a original já foi modificada, foi feito um sótão, por toda a  extensão da antiga casa. 
Depois de pouco tempo, nosso bairro passou a chamar-se, Bairro de Fátima, devido à inauguração da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na década de 1960, não tão próximo à nossa casa..."coisas" da prefeitura municipal.
Na mesma rua e em outras ruas transversais à Saldanha, como a Rua Assunção, haviam muitas fábricas artesanais de "rede de dormir". 
Tear, para fabricar tecidos de rede. (Foto: google)
Tínhamos uma vizinha, a Dona Margarida, que todos os dias passava com duas ou três de suas filhas, com uma porção de redes, inacabadas, sobre os ombros.Logo, de tanto eu observar aquele vai e vem de redes, interessei-me em saber porque as redes eram levadas e trazidas, todos os dias,  sem nenhuma alteração, aparentemente.
Curiosa, perguntei às meninas o que ocorria. 
Soube, então, que aquelas redes eram "apanhadas" para que se fizessem as tranças, nas extremidades do tecido, que fora feito em "teares" manuais. Para  fazer as tranças das redes, era pago um certo valor, por cada unidade.
Quando eu era criança, não havia rede colorida como estas da imagem, eram brancas ou de xadrez.
Na maioria das casas, principalmente no nordeste, há armadores nas varandas, onde as redes
ficam sempre armadas, para o descanso. (Foto: google).
Para quem  não conhece bem as "partes" de um rede, devo dizer que, após  a "feitura" das tranças, na parte desfiada do tecido feito no tear, passa-se os cordões grossos que serão unidos nas extremidades no que se dá o nome de "punhos". Serão esses "punhos" que serão enfiados nos 2 armadores, geralmente presos em paredes opostas. É quando dizemos que a rede está "armada" e já é possível se deitar nela...
Como eu só tinha 10 anos de idade, era estudante, pedí então à Dona Margarida para "trabalhar" para ela, depois de aprender o "ofício" de fazedora de tranças de rede de dormir.
Depois de algumas aulas, passei a fazer as tranças de rede com exímia habilidade, segundo a minha "patroa", sendo então remunerada para tal.
Considero esse, meu primeiro emprego: tinha um "ofício" remunerado. Naquele tempo, não havia Conselho Tutelar para a Criança e o Adolescente. Caso houvesse, certamente, a nossa vizinha, Dona Margarida, seria punida por "exploração de trabalho infantil".  No entanto, no caso, fui eu que pedi o emprego....queria ganhar um dinheirinho, para comprar as minhas bonecas... Não fiquei muito tempo fazendo tranças de rede, precisava estudar...eu gostava, de estudar...
Hoje, quando vou visitar minha irmã e vejo a Dona Margarida na calçada, paro junto ao muro de sua casa e temos travamos um bom "dedo de prosa", incluindo na conversa essa passagem, das tranças de rede...
Já não existem mais fábricas de rede por aquelas bandas...só no interior...

Neste início de Dezembro, em pleno "clima" natalino, como vem fazendo há alguns anos, a CDL ( Câmara dos Dirigentes Logistas),   a árvore composta por redes de dormir, instalada na Praça do Ferreira, no "coração" de Fortaleza, pegou fogo, em poucos minutos.  


Porém, a direção da CDL logo providenciou outra Árvore de Natal, igualzinha à árvore do "sinistro", que já foi inaugurada hoje. Soube, no noticiário da TV Verdes Mares que,  agora, tomaram precaução  para não ocorrer outro incêndio...
Assim, os fortalezenses ficarão mais tranquilos, aguardando a Noite de Natal. Todos dias, no início da noite,  nesse mês de dezembro, um Coral de Crianças entoa canções natalinas, nas janelas da belíssima edificação onde funcionou, por muitos anos o famoso Hotel Excelcior, na Praça do Ferreira...É o  chamado Natal de Luz do Ceará...


Enquanto não chega a Noite de Natal, vez em quando, vou "curtindo" uma gostosa sesta , numa de minhas indispensáveis redes...
Esta foto, como o vídeo, é  do ano passado...esta rede,
não é minha, estava armada na varanda de um restaurante,
em Natal...no Rio Grande do Norte....ou num outro local,
onde estive nas férias de 20010...




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Estou indo, mas eu volto, antes do Natal........Um abraço!


terça-feira, 29 de novembro de 2011

COSTUMES "CURIOSOS":

O primeiro "cachinho", virou "relíquia."..
Esta mecha de cabelo, que virou um "cacho" com o decorrer do tempo, 
foi cortado por volta de 1943. Era costume, então, guardar-se  uma
 mecha do primeiro corte . Minha mãe guardou o meu, que é esse
 da foto..  Eu, que sou uma "preservadora" do passado, ainda o 
tenho comigo.Curioso costume, não?  (Imagem: Lúcia Paiva).

No último mês de maio, dia 18, fiz uma postagem com um título imenso. Esse, que aí está, abaixo:

ALFAZEMA, no PORTA-INCENSO, perfumando:
MANDRIÕES, CUEIROS, MANTAS, CAMISINHAS de PAGÃO...
...e o aroma no ar !!!

Naquela postagem, eu já insinuava que o povo cearense tinha, de acordo com o meu pouco conhecimento e a minha memória, alguns costumes bem arraigados, herdados de nossos colonizadores, os portugueses, do povo africano, que veio "de roldão", para cá, e do nosso  indígena, nativo, os verdadeiros  DONOS, DA TERRA...

O porta-incenso, que pertenceu às minhas avoengas, e
que minha mãe usou, para "incensar" os enxovais dos
seus seis filhos. Hoje, ele está em "meu acervo" de 
relíquias da família. (Imagem: Lúcia Paiva)

Tenho imenso prazer quando trago, à tona, os costumes que absorvemos, no decorrer da vida, não importa de qual desses três povos citados. Estão todos eles tão intrinsecamente  ligados, que não sabemos definir , muitas vezes, de onde veio determinada "herança cultural" : se do índio, do português ou do negro africano...

Aquele costume, de "passar" todo o enxoval de cada filho que nascia, pelo incenso de alfazema, mesmo sem eu ter visto, por ter sido a última filha a nascer, para mim é inesquecível, porquanto, todo o ritual que foi feito quando do meu nascimento, me foi passado, pelos meus pais...anos depois. O porta-incenso, permaneceu na família, como se fora para "confirmar" mais essa parte, da história familiar. 

Um outro costume, que havia lá em casa (como em inúmeras outras, bem sei!), era quando uma mãe resolvia cortar, pela 1ª vez, o cabelo de sua criança, especialmente quando se tratasse de uma menina. Acontecia algo semelhante ao que ocorria quando da extração de um "dente de leite". Na minha época de criança, o dente era tirado "amadoristicamente", ou seja, "na marra", "à força"...era um ato "violento"(?),.. enfim... Naquela época, não se levava uma criança ao dentista, que eu me lembre, para esse tipo de procedimento odontológico. O processo de extração, de um dentinho de leite, era "executado" em casa mesmo, ao menos na minha casa e na casa de minhas amiguinhas do bairro...
Depois que o dente de leite estava solto, na mão, sem nenhum sinal de higiene , banhado de um "líquido púrpuro", seguia-se um ritual inesquecível: mirando para cima de sua própria casa, a criança arremessava o branco dentinho de leite, com a maior força que  podesse ter, para alcançar o telhado, proferindo, ato contínuo, o ingênuo e "esperançoso" versinho que se segue:

"Mourão, Mourão,
toma este meu dente,
e me dá um são"!
(obs.: nunca soube, quem era esse "Mourão " ! )

Eu procedia assim, a "mando" de minha mãe, depois de um sofrimento atroz, ao arrancar o meu dentinho de leite. Analiso hoje, a cena que antecedia o arremessar do dente e vejo que,  amarrar com  linha de costura um dente de leite para ser extraido, de um só puxão... era uma "tortura"  bastante "inocente"...ai, ai, ai, ai, ai ...! 

Porém, creio que as mães não o faziam por mal, era "costume"...  As mães, certamente, "ignoravam" outra alternativa para  tirar o dente de leite, que "amolecia" na boca...
................... 

Agora sim, vou contar sobre o 1º corte do meu liso, louro e pouquíssimo cabelinho "virgem"...
É, esse cachinho da foto, é meu..Não sei se sabem, mas mesmo que um cabelo seja liso, como era o meu, depois de cortado e bem amarrado (como fazia minha mãe), com o passar do tempo, a mecha vai ficando cacheada, como se crespo fosse o cabelo... 

Esta foto é de 1943 . Aí, o pouco cabelo, fino e
 liso,  já está cortadinho. Eu chorara tanto que 
  minha mãe me entregou sua bolsinha de  
moedas, para eu ser "retratada", no
estúdio, sem choro...
(Obs.: a minha foto, está precisando ser restaurada..)

Minha mãe guardou sempre o cachinho de meu cabelo, enquanto viveu. Então, não seria eu a jogá-lo fora! Passou, portanto, a ser mais uma "relíquia"  que vem me reportando à primeiríssima infância, como tantas outras saudosas lembranças...

Agora, os costumes são bem outros... Mas, convenhamos, guardar um punhado do primeiro cabelo cortado, bem amarradinho, virando um cacho, e se tornando uma "relíquia"..."só doida", viu?...que nem mamãe e tantas outras mães,"corujas"...
...Como a DONA MAZÉ !!!


CONFESSO: no "diário do bebê" do meu único filho, há uma 
página - "cabelinho do bebê" - onde colei uma mecha, amarrada, do primeiro corte de seu cabelo. Era liso e claro, como o meu, 
vindo a se tornar um "cachinho", também...
Como os tempos eram outros, o álbum, todo ele uma relíquia, contém quase todas as informações de seu primeiro ano de vida.
Guardo-o,carinhosamente, como qualquer outra "mãe coruja"...
.
HAJA CURTIÇÃO MATERNAL !!!
TODAS AS MÃES, SÃO "DOIDAS"... por seus filhos!!!






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Obrigada, amigos! Estou indo.............mas volto!  Um abraço!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

ARRUANDO, NO FLAMENGO...

EM CADA PEÇA, UMA HISTÓRIA !!!   


Ela é pequena e jeitosa. Tem, mais ou menos, a metade do meu tamanho, na altura, claro...Vejam só, a gavetinha e os dois escaninhos abaixo. Uma graça, pra mim!!!
As quatro pernas, magrinhas, são "calçadas",  por quatro carretilhas, para que ela possa ser deslizada, suavemente, para o cantinho que  eu desejar, pois tem a largura de duas mãos infantís, até parece uma menina: é leve, solta e serelepe...
Quando a ví, logo me apaixonei....!!!

Não tenho  certeza do ano em que a vi, pela vez primeira. Lembro-me bem que eu estava recém- chegada ao Bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Antes, eu morara em Botafogo, também no Rio. Então... deveria ser... em torno de 1984....parece-me...

Meus móveis de sala, são todos de madeira semelhante a desta mesinha, com a mesma cor de verniz - marrom escuro. Dois, de meus móveis de sala, foram comprados em Antiquário : uma cristaleira e uma estante onde tudo se põe, para tornar o ambiente aconchegante  e gostoso de se estar...na morada...(namorada???)...

Faltava, para compor meu cenário doméstico, uma pequena mesinha para o tão útil telefone. Antes da chegada da mesinhas, mantinha  o telefone num cantinho da  prateleira mais larga, da  estante da "sala de estar"...
Procurara muito, uma mesinha para o telefone, mas nenhuma me agradara, nunca combinava, com o que eu já tinha na sala.
Naquela altura, década de 1980, eu tinha uma amiga, amiga de meu marido desde a terra natal de ambos, Goa ( Índia), que trabalhava no Consulado Britânico do Rio, naquela época funcionando (não sei se ainda está lá) numa  antiga e bela edifícação da  Praia do Flamengo...

Certa feita, aquela  amiga  me informou que a "direção" do
consulado iria trocar, como fazia periodicamente, alguns móveis, tapetes cortinas e outras peças das suas dependências , e que, portanto, tudo a ser substituido, deveria ser posto à venda ou descartado...
Como aprecio "quinquilharias", de boa qualidade e que sejam bonitas, ao meu gosto, fui ao Consulado Britânico. passar um "visual" no que era oferecido. Comprei um tapete, apenas, nada mais me interessou.  Depois de pagar, quando já ia me retirando, despedindo-me da amiga, batí o olho numa pequena mesinha, afastada..."abandonada"...
Perguntando sobre o seu preço, soube que, além de não está à venda, seria jogada fora, como "sucata". ...Acreditem!!!

Num ímpeto de alegria, que costumo ter nesses momentos de "achados", perguntei se eu poderia sair com a mesinha, pela porta principal. Aliás, uma porta Magistral! Quem conhece aquele antigo e  lindo edifício da Praia do Flamengo, há de concordar comigo. Fica numa esquina curva...tem portas maravilhosas...e outros araabescos...na fachada...
Pois bem, eu tinha receio de ser detida,  arrastando a mesinha, "arruando", literalmente, como quem está furtando,  fugindo...

Calculei os quarteirões que eu teria que percorrer, à pé, do consulado ao meu apartamento da Rua Senador Vergueiro, no bairro Flamengo. 
Tendo eu,  então, uns 42 anos de idade, bem disposta e feliz com a mesinha bonita  (e grátis), em plena Cidade Maravilhosa, onde ninguém se  mete na vida dos outros (nessas "coisas"!)... eu estava achando  tudo ...PERFEITO!!!
Mas eu não estava saindo de um lugar "qualquer", eu estava 
saindo de um consulado, ainda por cima  o britânico,"puxando" uma mesinha de telefone...fazendo muito barulho, com o atrito das "sapatilhas" de ferro, feito uma "cadeirinha de arruar"...
...............

Minha gente, no momento, estou embalando peças, trocando peças, para me mudar de casa. Retirei o telefone de cima da mesinha, desocupei os dois escaninhos, onde sempre ficam os catálogos telefônicos, limpei a gavetinha, onde guardo minha agenda particular com números de telefones de parentes e amigos.
Amanhã, vem o marceneiro para envernizar, dentre outros móveis, minha querida mesinha "andante"... 
Fotografei-a assim, sem nada, completamente nua, apenas com  seu simples "charm" inglês...


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Já vou, mas prometo que volto.......Um abraço!

















segunda-feira, 14 de novembro de 2011

GESTAÇÃO : DE FEVEREIRO A NOVEMBRO...9 meses

A CADEIRINHA FOI A "TERMO"... 
 ...MAS EU "VIM" DE CABRIOLÉ !!!



Há dias, lendo uma postagem (de 01/11/11) no blog Fortaleza em Fotos e Fatos, da Fátima Garcia, sobre Cabriolet, veio-me a inspiração de usar essa imagem para comemorar a ultrapassagem, deste blog, Da Cadeirinha de Arruar, de sua 50ª postagem, dos mais de 160 seguidores e dos mais de 20 mil acessos, considerando os 9 meses transcorridos: do mês de fevereiro ao mês de novembro, equivalente a uma... GESTAÇÃO HUMANA...
Este resultado, em números, devo a todos os que me prestigiam com suas visitas e comentários sempre tão carinhosos, carregados de amizade... 
Meus agradecimentos sinceros, a todos, bem do fundo do meu coração.

Amigos, marcando este "tento", hoje publicarei um outro poema de meu irmão, José Maria (B.dePaiva) : BALADA DO ANIVERSÁRIO DE LÚCIA. Esse poema não foi feito para mim, mas, lembro-me bem de que,  quando o livro PALAVRAS E COISAS , no qual está inserido esse poema, chegou às minhas mão, em 1958, sentí-me homenageada pelo mano...("...ela que tem o nome de minha irmã caçula e como todas as lúcias...(...)....". Este poema, fora dedicado à sua amiga Lúcia... minha homônima...!
Adolescente, eu, com 16 anos em 1958, "roubara", para mim, aquela dedicatória... 

O POEMA...

BALADA DO ANIVERSÁRIO DE LÚCIA
(para Lúcia)

... ela a dos olhos pequenos e simples
... ela a dos cabelos louros e medievais
... ela que vive realista os poemas antigos e
                                   [as músicas clássicas.
... ela lúcia, com letra minúscula, que possue
                alma maiúscula e mãos de outono.

... ela que tem o nome de minha irmã
    caçula e como tôdas as lúcias do 
    mundo tem intelectual firmeza no
    falar e singela lembranças dos anjos
    de Miguel Ângelo;

    no dia de hoje, décimo quarto do 
    penúltimo mês, reunidos no tempo e no
             ex-tempo, eu quero-te fazer um poe-
             ma moderno;
    mas que tenho eu para te encomendar um 
    poema? Nada, a não ser eu próprio, sem
    música
              e sem lágrimas...
    então façamos a receita dos versos...
    para que tu encontres um futuro feliz
    partindo deste aniversário para o
    amanhã, e do amanhã voltando
    para o ontem, o que seria preciso?

    bem... tiremos do vigésimo século um
    "blue" que não tenha a incompetência
    dos americanos brancos, mas dos negros
    tenha uma melancolia que não seja 
    dor, mas paz...
    roubemos, de repente, o perfume mais
    alvo da primavera...
    e todas as côres dos mais belos "pôr de 
                                          [sol"  da vida...

    e a graça da luz - andando gorda e de
    prata - vestida de lua do céu....
    e o bordado mais brilhante que as ondas
    desenham nas  praias...
    e a pureza da flor mais bonita do
    campo, da mais inocente, daquela
    que as abelhas só encontram em
    noite de Natal.

    e finalmente, que uma canção de ninar
    de Brahms se aproxime de ti, no teu dia
    mais gláuco, cantada em cores e sons, por
    revoadas de anjos (de menos de um mi-
    nuto)

    e te embale boa e calma, através
    de todas as constelações do Universo,
    e que Deus, quase dormindo (de velhinho)
    Te abençôe por todos os séculos dos sé-
    culos. Amém.


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NOTAS
1- Mantive a ortografia e a configuração originais do poema, na época: 1958...

2- A releitura desse poema, hoje, trouxe-me um importante conforto, como se o mesmo tivesse  sido feito bem recentemente e direcionado a mim...na quase totalidade das palavras alí contidas...
Assim, o sentí !!

3- Coincidentemente, hoje é o dia "décimo quarto  do penúltimo mês"...dia do aniversário da "outra" Lúcia ...que eu nunca conheci...
Veio-me a curiosidade de perguntar, ao meu irmão poeta, qualquer dia desses, se ele conhece o "paradeiro" da minha homônima...

4- Quero registrar, aqui, meus sentimentos de imensa gratidão, pelo generoso apoio dos meus queridos amigos, que vieram me trazer alento com palavras de carinho e prova de amizade, em seus comentários, quando incluí, na postagem anterior, o comunicado  da "partida" de meu marido, companheiro  em  mais de três décadas...
 
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Estou indo, amigos.....mas eu volto.Um abraço!